Uma nova revisão internacional publicada no periódico The BMJ sugere que a ingestão de suplementos de cálcio, vitamina D ou a combinação de ambos pode não oferecer os benefícios esperados na prevenção de quedas e fraturas entre idosos. As quedas representam um dos principais desafios de saúde para pessoas acima de 65 anos, com quase um terço dessa população sofrendo pelo menos uma queda anualmente, frequentemente resultando em fraturas que afetam a mobilidade e a qualidade de vida.
A revisão analisou dados de 69 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 153.902 adultos mais velhos, comparando o uso de suplementos com placebo ou ausência de tratamento. Os resultados indicaram que os suplementos de cálcio e vitamina D tiveram pouco ou nenhum efeito significativo na prevenção de fraturas e quedas. No caso da vitamina D isolada, foram considerados 36 estudos com mais de 92 mil participantes, enquanto a combinação de cálcio e vitamina D foi avaliada em 15 ensaios com mais de 51 mil pessoas.
Os pesquisadores ressaltam que as evidências atuais não apoiam a suplementação rotineira com esses nutrientes para a prevenção de quedas e fraturas em idosos. No entanto, eles alertam que os resultados não devem ser aplicados a todos os casos, especialmente para indivíduos com doenças ósseas específicas ou em tratamento para osteoporose, que podem ter necessidades diferentes.
Os autores também destacam que algumas análises incluíram um número reduzido de estudos e participantes, o que requer cautela na interpretação dos dados. Eles sugerem que médicos e órgãos de saúde reconsiderem as diretrizes de suplementação. Em um editorial associado à revisão, especialistas propõem que os esforços sejam direcionados a estratégias comprovadas para prevenir quedas, como exercícios de equilíbrio e programas personalizados de acompanhamento para idosos.