A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quebrou o silêncio sobre um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro, em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira (24). Durante a gravação, ela relatou ter se sentido desrespeitada em uma conversa telefônica que envolveu estratégias políticas do Partido Liberal (PL) no Ceará.
Michelle explicou que o contato ocorreu após ela expressar sua discordância em relação à articulação do PL cearense para uma possível aliança com Ciro Gomes já no primeiro turno das eleições estaduais. Segundo seu relato, Flávio retornou a ligação, mas a conversa foi marcada por um tom ríspido que a deixou incomodada.
Ela afirmou que o senador a aconselhou a se afastar das decisões partidárias, alegando que, por ter ingressado recentemente na política, ela não entenderia o funcionamento do cenário nacional. Diante da situação, Michelle decidiu encerrar a discussão e aceitar a posição apresentada.
No vídeo, a ex-primeira-dama reiterou sua oposição à aproximação entre o PL e Ciro Gomes, afirmando que sua resistência não se baseia em cálculos eleitorais, mas em princípios de coerência política. Michelle recordou declarações de Ciro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, considerando contraditório apoiar alguém que, em sua visão, contribuiu para a inelegibilidade do ex-chefe do Executivo.
Ela também comentou sobre a reação dos filhos de Jair Bolsonaro às suas críticas, observando que as manifestações públicas pareceram previamente combinadas, seguindo uma linha de argumentação similar.
Em resposta às críticas sobre sua experiência política, Michelle destacou seu trabalho à frente do PL Mulher, onde participou da estruturação de diretorias em todo o país e ajudou na eleição de 1.005 mulheres em 2024. Ela negou rumores de que estaria pressionando por candidaturas ou exigindo desculpas públicas, esclarecendo que o desentendimento com Flávio começou antes de qualquer debate sobre cargos ou projetos eleitorais, sendo uma questão de respeito.
Esse episódio ocorre em um contexto de divergências dentro do campo bolsonarista sobre a estratégia para as eleições de 2026 no Ceará. Enquanto algumas lideranças locais defendem a união para enfrentar o PT, Michelle acredita que uma eventual aliança com Ciro Gomes deve ser discutida apenas em um possível segundo turno.