Na quarta-feira, 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos de grande magnitude, os mais fortes registrados no país em mais de um século. O primeiro tremor, de magnitude 7,1, ocorreu às 18h04, com epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, a cerca de 280 quilômetros de Caracas. Apenas 39 segundos depois, um segundo abalo, ainda mais intenso, foi registrado com magnitude 7,5, próximo ao município de Yumare.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a região norte da Venezuela tem um histórico de sismos destrutivos, mas nos últimos seis anos apenas sete terremotos de magnitude seis ou superior foram registrados. O terremoto mais devastador até então ocorreu em julho de 1986, com um tremor de 6,6 que causou cerca de 240 mortes.
Após os terremotos, o USGS emitiu alertas de tsunami para a região do Caribe, que foram posteriormente retirados. A presidente interina Delcy Rodriguez confirmou 32 mortes e 700 feridos, embora esse número possa aumentar, especialmente em La Guaira, uma das áreas mais afetadas.
O USGS estimou que o número de mortos pode variar entre 10 mil e 100 mil, indicando a possibilidade de um desastre generalizado. Iniciativas populares estão sendo realizadas para registrar os desaparecidos, com 8.378 pessoas reportadas como sumidas, das quais 418 já foram localizadas.
Imagens e relatos nas redes sociais mostram a destruição em La Guaira, onde diversos prédios desabaram. A presidente declarou a cidade como uma "zona de desastre" e anunciou que equipes de busca de países como Estados Unidos, República Dominicana, El Salvador, México e Catar devem chegar ao país para auxiliar nas operações de resgate.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também se manifestou, solicitando ao Ministério das Relações Exteriores que avalie a situação e as possíveis medidas de assistência ao país vizinho. Em resposta, Delcy Rodriguez expressou gratidão pela solidariedade do governo brasileiro.