Uma mulher de 68 anos, residente nos Estados Unidos, apresentou manchas de coloração azulada, arroxeada e quase preta na pele após iniciar um tratamento com minociclina, um antibiótico utilizado para a rosácea. O relato foi publicado na revista The New England Journal of Medicine em 1º de abril.
A paciente buscou atendimento em uma clínica de cardiologia devido ao surgimento de manchas escuras nos braços e pernas. As primeiras alterações foram observadas nas canelas, seguidas por manifestações nos antebraços. Durante o exame, os médicos também notaram hiperpigmentação nas laterais da língua.
Duas semanas antes do aparecimento das manchas, a mulher havia começado a tomar 100 mg diários de minociclina oral. Essa condição inflamatória crônica, a rosácea, provoca vermelhidão facial e pode gerar pequenas lesões semelhantes a espinhas. O diagnóstico foi de hiperpigmentação induzida pelo antibiótico, um efeito adverso conhecido.
Os médicos identificaram a hiperpigmentação como tipo II, caracterizada por manchas azul-acinzentadas em áreas de pele normal, especialmente nos braços e pernas. A minociclina, pertencente à classe das tetraciclinas, possui ação antibacteriana e anti-inflamatória, sendo utilizada em alguns casos de rosácea.
Embora o medicamento seja eficaz, ele pode causar hiperpigmentação, onde áreas da pele tornam-se mais escuras em comparação com a região ao redor. Existem três tipos principais de hiperpigmentação associada à minociclina: o tipo I, que aparece como manchas azul-escuras ou pretas em áreas inflamadas ou cicatrizadas; o tipo II, observado na paciente; e o tipo III, que provoca manchas marrom-acinzentadas em regiões expostas ao sol.
O caso chamou atenção pela rapidez no aparecimento das manchas, que geralmente ocorrem após meses de tratamento, mas podem raramente surgir em períodos mais curtos. Nos tipos II e III, a alteração está frequentemente relacionada à dose acumulada do medicamento no organismo.
A causa da hiperpigmentação induzida pela minociclina ainda não é completamente compreendida. Uma hipótese sugere que subprodutos da metabolização do antibiótico se ligam ao ferro e são captados por macrófagos, onde se acumulam. O medicamento também pode estimular a atividade das células produtoras de melanina, o pigmento responsável pela cor da pele.
Após o diagnóstico, a paciente foi orientada a interromper o uso da minociclina e a evitar a exposição ao sol, uma vez que a radiação ultravioleta pode agravar a condição. Seis meses depois, as manchas apresentaram redução parcial, mas ainda eram visíveis. Em alguns casos, a pigmentação pode levar meses ou até anos para desaparecer completamente, com relatos de manchas persistentes mesmo após a interrupção do antibiótico.