A saga da baleia-jubarte "Timmy
, que encalhou em março na costa da Alemanha e cujos esforços de resgaste cativaram o país, teve mesmo um desfecho trágico. Neste sábado (16/5), a Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca (EPA) informou que o cadáver de baleia encontrado boiando na quinta-feira perto da ilha dinamarquesa de Anholt é mesmo o de Timmy. A baleia-jubarte havia vagado por semanas ao longo da costa alemã do Mar Báltico e, após encalhes repetidos, foi transportada por uma iniciativa privada de resgate, utilizando uma barcaça, e libertada em alto-mar, ao norte da Dinamarca. A operação provocou controvérsia e foi acompanhada de perto por diversos veículos da mídia alemã. Rastreador O secretário de Meio Ambiente do estado alemão Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, que apoiou a operação privada de resgate do animal encalhado no fim de abril, informou que especialistas dinamarqueses
confirmaram sem qualquer dúvida" que a baleia encontrada morta na ilha de Anholt é Timmy. "A confirmação final veio hoje com a descoberta de um rastreador na baleia", acrescentou Backhaus, se referindo ao aparelho colocado no animal pouco antes de sua soltura em alto mar. Ele lamentou que o animal não tenha sobrevivido à tentativa de resgate conduzida por uma iniciativa privada. O ministro afirmou que compartilhou a esperança de muitas pessoas de que "seria possível devolver a baleia à liberdade”. Ao mesmo tempo, Backhaus voltou a defender a tentativa de resgate realizada. "Sempre houve a necessidade de avaliar qual era a pior opção: esperar pela morte certa do animal, com sofrimento, ou dar a ele uma última chance, mesmo que isso implicasse estresse adicional.” Especialistas haviam se oposto ao transporte do animal, que possivelmente estava gravemente doente e muito debilitado. O Museu Marinho Alemão, por exemplo, declarou após a libertação que acreditava que a baleia morreria no mar. Segundo a instituição, o mamífero provavelmente não tinha força suficiente para nadar por longas distâncias. O caso de Timmy e a forma como a baleia foi tratada geraram manchetes e debates durante semanas na Alemanha e até no exterior. Como transmissor foi achado Neste sábado, mergulhadores da agência dinamarquesa de conservação da natureza, a Naturstyrelsen, juntamente com uma veterinária alemã, avaliaram a baleia, mergulhando sob o animal durante o processo. Na sexta-feira, a agência havia declarado inicialmente que nenhum transmissor havia sido encontrado no animal. Na ocasião, foi retirado um pedaço da nadadeira caudal do mamífero, o qual foi enviado para análise na Alemanha. Morten Abildstrom, da agência, explicara que um transmissor fixado na nadadeira dorsal era difícil de ser detectado, já que a baleia morta estava inicialmente deitada de lado e, desde então, havia virado de barriga para cima. Tentativa de resgate fracassada A descoberta do cadáver de Timmy mostrou que a controversa operação de resgate empreendida pela iniciativa privada fracassou. A baleia – que havia encalhado várias vezes ao longo da costa dos estados alemães de Schleswig-Holstein e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental – foi transportada para o mar aberto em uma espécie de barcaça, e solta em 2 de maio no Estreito de Skagerrak, a aproximadamente 70 quilômetros do povoado de Skagen e a cerca de 200 quilômetros do local onde ela foi encontrada morta. Após a soltura do cetáceo, permaneceu incerto o que havia acontecido com a baleia, já que o transmissor afixado no animal não funcionava a contento, enviando sinais, mas sem indicar a localização do animal. Especialistas de organizações de proteção animal haviam avaliado, por unanimidade, que as chances de sobrevivência da baleia a longo prazo eram muito baixas. O que acontece agora com a carcaça? Segundo Backhaus, a tarefa agora é extrair as melhores lições possíveis desses eventos e orientar as ações futuras de acordo com elas. "A morte da baleia deve servir como um lembrete para levarmos a natureza, a conservação das espécies e a proteção climática ainda mais a sério. Pois nós, seres humanos, fazemos parte de todo o ecossistema." Ele expressou sua gratidão às autoridades ambientais dinamarquesas, que ajudaram a esclarecer de forma conclusiva o destino da baleia. Agora, deve-se determinar – em consulta com as autoridades dinamarquesas – o que será feito a seguir com o animal morto. As autoridades dinamarquesas de conservação da natureza haviam declarado anteriormente que, no momento, não há planos para remover a carcaça da baleia. "Visto que ela se encontra longe da praia, não está incomodando ninguém", observou Abildstrom, representante da agência, acrescentando que várias dezenas de gaivotas estão, neste momento, alimentando-se do animal morto. Desde o encalhe, na quinta-feira, inúmeras gaivotas têm se aglomerado ao redor do animal, bicando a carcaça situada a aproximadamente 75 metros da costa. Drama que cativou Alemanha Em 23 de março, a baleia Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein, numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de "Timmy". Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente. As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico. No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local. No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate. Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate "única". Operação polêmica A nova operação passou a ser financiada com recursos de empresários, entre eles, Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt, que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha. O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco era inevitável. "Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance", afirmou na ocasião. Pela operação, o enorme animal seria transportado por centenas de quilômetros do Báltico até águas mais profundas do Mar do Norte em uma espécie de balsa em formato de aquário. Mas a retomada do resgate também gerou críticas na Alemanha. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorreu sob forte pressão pública, em detrimento de avaliação científica. Especialistas também apontaram que mesmo que a operação fosse bem-sucedida em transportar a baleia até as águas mais profundas do Mar do Norte, as chances de Timmy permaneceriam mínimas, destacando que a saúde da baleia se deteriorou ao longo das semanas de encalhe no Mar Báltico. Um grupo ligado ao Museu Oceanográfico Alemão, por exemplo, apontou o risco de a baleia se afogar após ser solta em alto-mar, apontando que um animal debilitado pode não ter forças para se movimentar livremente no mar. A operação privada também foi marcada por desentendimentos entre os envolvidos, com uma veterinária abandonando a iniciativa e acusando dois participantes, entre eles um influenciador, de atrapalhar o resgate. Libertação provocou críticas e questionamentos Timmy foi finalmente solto em alto-mar em de 2 maio. Os envolvidos na operação classificaram a empreitada como um "sucesso", mas logo surgiram questionamentos devido à falta de vídeos do momento da soltura do animal e à ausência de informações claras sobre o rastreador acoplado a ele. Pouco depois, a controvérsia ganhou novo fôlego após a veterinária Kirsten Tönnies, que integrava a tripulação que transportava Timmy, fazer acusações graves contra os responsáveis pela operação. Segundo Tönnies, o método usado para retirar o animal da balsa foi agressivo, e ela teria sido impedida de acompanhar a manobra. A principal dificuldade parecia ser a posição em que Timmy ficou após nadar para dentro da balsa. Devido ao tamanho reduzido da embarcação, o animal não podia se virar e nadar em direção ao mar. As críticas ainda também se concentraram na falta de informações sobre o paradeiro e o estado de saúde de Timmy nos dias seguintes. Após a soltura, os sinais do rastreador instalado na baleia seguiram inconstantes, sem informações sobre a localização da baleia e seu estado de saúde. O transmissor aparentemente não foi testado antes da soltura.