O Rio de Janeiro é responsável por 64% dos acidentes e incidentes envolvendo helicópteros no Brasil entre 2025 e 2026, conforme dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). No período de janeiro de 2025 a junho de 2026, foram registradas 317 ocorrências no país, das quais 204 ocorreram no estado fluminense.
Somente em 2026, 62 ocorrências foram registradas no Rio. É importante destacar que esses números não incluem o recente acidente ocorrido no Recreio dos Bandeirantes, onde dois helicópteros colidiram, resultando na morte de todas as seis pessoas a bordo.
Das 204 ocorrências no Rio desde 2025, 134 foram classificadas como falha ou mau funcionamento de sistemas ou componentes, sendo essa a principal causa. A segunda causa mais comum foi a colisão em voo ou perda de separação, com 37 registros.
O Cenipa categoriza as ocorrências em incidentes, incidentes graves e acidentes, sendo a maioria dos registros classificados como incidentes. Os dados do Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) indicam um aumento significativo nas ocorrências a partir de 2024, com 273 casos registrados entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, um aumento de 181% em relação aos oito anos anteriores.
A virada de 2023 para 2024 marcou um crescimento acentuado, passando de 15 ocorrências em 2023 para 69 em 2024. A reportagem tentou contato com o Cenipa para esclarecer se houve mudanças metodológicas nos registros, mas não obteve resposta.
Em contraste, outros estados, como São Paulo, apresentaram números bem inferiores, com apenas sete ocorrências em 2023, seis em 2024 e 14 em 2025.
Moradores do Recreio dos Bandeirantes relataram que helicópteros costumam voar muito próximos uns dos outros na região, que possui muitos helipontos e aeródromos. Gerardo Portela, engenheiro especialista em riscos e segurança, alertou para os riscos que a queda de uma aeronave pode representar para a população em solo.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Fabio Contreiras, classificou como "alarmante" o aumento das ocorrências envolvendo aeronaves, mencionando que várias já foram atendidas este ano na Barra e no Recreio.
A Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros) destacou que Jacarepaguá, no Rio, e Campo de Marte, em São Paulo, são áreas sensíveis para operações de helicópteros. A associação enfatizou a necessidade de modernização da frota e evolução dos procedimentos de circulação aérea.
O Rio de Janeiro possui a segunda maior frota de helicópteros do Brasil, com 743 registros na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), atrás apenas de São Paulo, que tem 935.