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Crescimento das mortes no trânsito por álcool no Brasil desde a pandemia

Desde a pandemia, o Brasil tem visto um aumento nas mortes no trânsito relacionadas ao uso de álcool, após cinco anos de queda. Em 2024, a taxa chegou a 6,2 mortes por 100 mil habitantes, o maior índice desde 2016.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A taxa de mortes no trânsito no Brasil atribuída ao uso de álcool tem apresentado um crescimento contínuo desde o início da pandemia, revertendo uma tendência de queda que durou cinco anos. Um estudo da organização não-governamental Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) revelou que, em 2024, o país registrou uma média de 6,2 mortes por 100 mil habitantes em acidentes de trânsito relacionados ao álcool, o maior índice desde 2016.

A pesquisa, que começou a ser realizada em 2010, dois anos após a implementação da Lei Seca, mostra que a legislação, que estabelece tolerância zero para motoristas alcoolizados, completou 18 anos em 19 de junho de 2024. Os dados utilizados no estudo são provenientes do DataSUS, que compila informações dos sistemas de saúde nacionais.

Mariana Thibes, socióloga e coordenadora do Cisa, sugere que o aumento no uso de motocicletas desde a pandemia pode ser um fator que contribui para o crescimento das mortes. Em 2019, o Brasil contava com 23,6 milhões de motos registradas, número que saltou para 28,3 milhões em 2024, representando um aumento de 20%, superior ao crescimento da frota de automóveis, que foi de 12%.

Os desafios aumentaram, o trânsito está mais complexo

, afirma Mariana, ressaltando que motoristas alcoolizados têm menos atenção e podem causar acidentes mais facilmente com motociclistas. Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicou que 40% das mortes no trânsito em 2023 foram de motociclistas.

O levantamento do Cisa também revelou que 18 estados apresentaram taxas de mortes por 100 mil habitantes superiores à média nacional, com Tocantins, Piauí e Mato Grosso liderando os índices. A população masculina é a principal vítima, representando 86,7% das mortes e 81,8% das hospitalizações relacionadas ao álcool no trânsito.

Em 2024, o total de óbitos chegou a 13.075, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. Um caso notável ocorreu em outubro, quando quatro pessoas morreram em um acidente na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Oswaldo Cruz, interior de São Paulo. O motorista envolvido, que apresentava 0,38 mg/L de álcool no teste do bafômetro, foi preso.

Apesar do aumento no número de mortes, a fiscalização tem sido intensificada. O Detran de São Paulo, que possui uma das menores taxas de mortalidade do país, mais que dobrou o número de blitze para flagrar motoristas embriagados, passando de 565 em 2023 para 1.272 em 2024.

Flávio Adura, diretor científico da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), destaca que o álcool compromete a capacidade de dirigir, aumentando a gravidade dos ferimentos em acidentes.

O álcool faz com que o motorista tenha sua capacidade visual e de percepção comprometidas

, afirma.

Mariana Thibes ressalta que a redução das mortes no trânsito requer ações consistentes, incluindo fiscalização intensificada e acesso a atendimento de emergência.

É preciso construir uma cultura em que dirigir após beber seja socialmente inaceitável

, conclui.

A Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) informou que mantém uma agenda permanente de ações educativas e de fiscalização para reduzir os acidentes relacionados ao álcool, sem campanhas específicas para estados ou regiões.

Punições para motoristas alcoolizados

  • Dirigir sob influência de álcool é infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70.
  • Se flagrado mais de uma vez em 12 meses, a multa dobra para R$ 5.869,40 e há suspensão do direito de dirigir por 12 meses.
  • Dirigir com capacidade psicomotora alterada pode resultar em detenção de seis meses a três anos e multa.

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