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Cresce o número de alunos do ensino médio envolvidos em apostas esportivas

Uma pesquisa revela que mais de 25% dos estudantes do ensino médio já participaram de apostas esportivas, com início frequente aos 11 anos. A situação levanta preocupações sobre a saúde financeira e o desenvolvimento...
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Uma nova pesquisa indica que mais de um quarto dos alunos do ensino médio no Brasil já fez apostas esportivas, apesar da proibição de jogos de azar para menores de 18 anos. O estudo, realizado pela Frente Parlamentar Mista de Educação em parceria com o Equidade.info, entrevistou 1.912 estudantes em 191 escolas de todo o país.

Os dados mostram que as apostas começam, em média, aos 11 anos, com a prevalência aumentando com a idade. Enquanto 16,2% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental relataram já ter apostado, essa porcentagem sobe para 27,3% entre os estudantes do ensino médio. Entre os 11 anos, 9,5% afirmam ter jogado, percentual que chega a 32,3% aos 17 anos e 40,1% entre aqueles com 18 anos ou mais.

Os meninos apresentam um risco maior de se envolver em apostas online em comparação às meninas, com 19% contra 13% nos anos finais do fundamental e 41% contra 12% no ensino médio. A pesquisa também revela que a prevalência de apostas é semelhante em escolas públicas e privadas, embora nas públicas haja um maior percentual de alunos que relatam ter ganhado mais do que perdido.

A legislação exige que as plataformas de apostas mantenham controles rigorosos sobre a maioridade dos apostadores, mas os dados sugerem que crianças e adolescentes conseguem acessar sites ilegais que não seguem essas normas. Entre os alunos com mães que têm até o ensino fundamental, 22,7% já apostaram, enquanto esse número é de 19,6% para aqueles cujas mães completaram o ensino médio e 22,8% para os que têm mães com ensino superior.

Quatro em cada dez estudantes que já apostaram online não sabem se ganharam ou perderam mais. A pesquisa aponta que a educação financeira nas escolas não tem sido suficiente para reduzir a exposição dos jovens às apostas. A deputada Tabata Amaral, presidente da frente, alerta que essa prática pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração.

Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford e supervisor da pesquisa, expressa preocupação com os dados e questiona como crianças e adolescentes têm acesso a essas plataformas e como contornam as restrições de idade. A Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, realiza levantamentos sobre o uso de tecnologia nas escolas.

A exposição de jovens a apostas esportivas contraria o ECA Digital, que exige mecanismos confiáveis para verificar a idade dos usuários em plataformas que oferecem produtos e serviços proibidos. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirma que não há acesso de menores às plataformas legalizadas, ressaltando que os casos mencionados referem-se a sites clandestinos que não impedem o login de menores.

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