O aumento do conhecimento sobre mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2, tem impulsionado discussões sobre a realização de cirurgias preventivas, incluindo a mastectomia e a retirada dos ovários. Embora esses procedimentos possam reduzir significativamente o risco de câncer, especialistas alertam que eles não garantem a eliminação total da doença.
Os genes BRCA1 e BRCA2 desempenham um papel crucial na reparação do DNA e na proteção contra o crescimento descontrolado das células. Quando ocorrem mutações hereditárias nesses genes, o risco de câncer, especialmente de mama e ovário, aumenta consideravelmente. A oncologista Roberta Galvão, do Hospital Samaritano Higienópolis, destaca que mulheres com essas mutações podem ter um risco de até 80% de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.
A mastectomia preventiva é frequentemente recomendada para pacientes com mutações genéticas associadas ao câncer hereditário. Segundo o mastologista Alexandre Bravin, do Hospital Anchieta, esse procedimento pode reduzir em até 90% o risco de câncer de mama, embora não o elimine completamente. A retirada dos ovários também é considerada em certos casos, pois diminui a produção hormonal que pode estimular o crescimento de tumores mamários.
Além disso, a retirada preventiva dos ovários é uma das principais estratégias para a prevenção do câncer de ovário, uma vez que não existem exames eficazes para rastrear essa doença. No entanto, mesmo com a cirurgia, o risco não é totalmente eliminado, pois pode haver tecido mamário remanescente ou células microscópicas que permanecem no organismo.
Os especialistas enfatizam que, apesar da redução significativa do risco, as cirurgias preventivas não garantem proteção absoluta. A paciente deve continuar o acompanhamento médico, pois ainda pode haver tecido mamário e o risco elevado persiste. Além disso, os procedimentos podem acarretar complicações, como infecções e necessidade de novas intervenções.
Com os avanços na oncogenética e nas cirurgias preventivas, é importante ressaltar que não existe uma solução que elimine completamente o risco de câncer. A principal vantagem dessas intervenções é a significativa redução das chances de desenvolvimento da doença e a possibilidade de diagnóstico precoce em pacientes de alto risco. Portanto, a decisão de realizar uma mastectomia preventiva ou a retirada dos ovários deve ser feita com acompanhamento especializado, levando em conta a avaliação individualizada e a compreensão clara dos benefícios e limitações dos procedimentos.