Israel e Líbano decidiram prorrogar o cessar-fogo por mais 45 dias, conforme anunciado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A medida, que busca facilitar o avanço nas negociações, ocorre em meio a bombardeios que evidenciam a fragilidade da trégua.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggott, destacou que as conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington foram consideradas "altamente produtivas". Um novo ciclo de diálogos está agendado para os dias 2 e 3 de junho.
Essas reuniões marcam o terceiro encontro entre as autoridades desde que Israel intensificou suas ofensivas contra o Líbano, em resposta a ataques do Hezbollah. O presidente libanês, Joseph Aoun, decidiu manter os diálogos, apesar da oposição do Hezbollah, que defende a continuidade do conflito.
O premiê Nawaf Salam expressou que apenas o Exército libanês deve deter armamentos, criticando indiretamente o Hezbollah. Apesar do cessar-fogo anunciado em abril, os confrontos entre Israel e Hezbollah persistem, embora em menor intensidade, principalmente no sul do Líbano.
Israel justifica suas ações alegando violações por parte do Hezbollah, enquanto o grupo extremista também realiza ataques. Recentemente, um ataque israelense em Tiro resultou na morte de pelo menos seis pessoas, incluindo três paramédicos.
Além disso, o Exército israelense confirmou a morte de um soldado em combate, elevando para 20 o número de israelenses mortos em território libanês desde março. O Hezbollah, por sua vez, lançou drones contra uma instalação militar israelense, com relatos de que alguns equipamentos caíram em áreas do norte de Israel.
O Ministério da Saúde do Líbano reporta que os bombardeios israelenses já causaram mais de 2.800 mortes desde o início da guerra, incluindo ao menos 200 crianças. Desde o início da trégua em abril, 380 pessoas foram mortas em ataques israelenses, segundo dados oficiais.
Apesar da violência, as delegações de ambos os países consideraram as conversas em Washington positivas. A mediação dos EUA ocorre em um contexto de esforços diplomáticos mais amplos, incluindo as relações entre Washington e Teerã.
A delegação libanesa busca transformar o cessar-fogo em um acordo de paz permanente, enquanto Israel exige o desarmamento do Hezbollah como condição para um entendimento duradouro. As reuniões em Washington representam um contato significativo entre os dois países em décadas.
A ONU classificou as negociações como uma "oportunidade única" para encerrar o conflito e interromper a violência. O coordenador humanitário da ONU para o Líbano, Imran Riza, expressou preocupação com a continuidade dos ataques, que têm um impacto inaceitável sobre civis.
Recentemente, dois brasileiros, mãe e filho, foram mortos em um ataque atribuído a Israel, e um outro filho da família foi hospitalizado. Além das mortes, mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas devido às ofensivas, configurando uma grave crise humanitária.