O governo da Bolívia anunciou a confirmação de quatro casos de hantavírus em cidades que fazem divisa com a Argentina. A informação foi divulgada pelo Serviço Departamental de Saúde de Tarija (SEDES) e levou à emissão de um alerta epidemiológico após a confirmação laboratorial das infecções.
As cidades afetadas incluem Bermejo, Yacuiba e Padcaya. O hantavírus é transmitido pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores infectados, podendo ser fatal. Os sintomas iniciais assemelham-se aos de uma gripe, mas a doença pode evoluir para complicações pulmonares e renais.
Uma cepa específica, chamada Andes, é transmitida entre humanos. Não há vacina ou tratamento antiviral disponível, o que resulta em altas taxas de mortalidade. A atenção internacional para o hantavírus aumentou após um surto no navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina em abril.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), três passageiros do navio adoeceram e testaram positivo para hantavírus, enquanto outros três tripulantes, incluindo um casal de holandeses e um cidadão alemão, faleceram. Uma operação de resgate foi realizada no dia 10 de maio, envolvendo mais de 20 países, resultando na repatriação de mais de 100 pessoas.
Após o surto, pelo menos seis países relataram casos suspeitos ou confirmados de hantavírus, incluindo Espanha, Estados Unidos, Holanda, África do Sul, Singapura e França. Outros países, como Chile, Argentina e Israel, também registraram infecções, mas sem ligação com a crise do MV Hondius. No Brasil, foram identificadas oito infecções em 2026, com uma morte confirmada em Minas Gerais. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que os casos no Brasil não estão relacionados ao surto no navio.