No último sábado (13), a cidade de Jauru, no interior de Mato Grosso, foi palco da beatificação do padre italiano Nazareno Lanciotti, que foi assassinado em 2001 após denunciar a exploração sexual e defender os mais pobres na região. O reconhecimento do martírio do sacerdote pela Igreja Católica ocorreu 25 anos após sua morte.
A cerimônia, que atraiu milhares de fiéis, foi presidida pelo cardeal João Braz de Aviz, enviado pelo Vaticano. Durante o evento, ele leu a carta apostólica que oficializou a beatificação, confirmando Lanciotti como mártir. O papa Leão 14, em uma oração do Angelus no Vaticano, destacou a importância do sacerdote, afirmando que ele foi mártir por defender os mais pobres em nome do evangelho.
O padre Deusdédit Monge de Almeida, administrador da Arquidiocese de Cuiabá, comentou sobre a relevância do ato, considerando-o um marco para Mato Grosso, que agora conta com seu primeiro beato. Ele acredita que a beatificação estimulará a chegada de peregrinos à cidade, que poderão visitar o túmulo de Lanciotti, localizado na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar.
Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil em 1971 e dedicou sua vida à criação de comunidades eclesiais rurais, além de fundar centros de assistência e uma escola. Sua atuação se destacou em uma região marcada por conflitos fundiários e exploração sexual de jovens.
O padre foi assassinado em 11 de fevereiro de 2001, após uma missa, quando dois homens armados invadiram a casa paroquial. Ele foi baleado após pedir que os demais presentes fossem poupados. Lanciotti morreu em 22 de fevereiro de 2001, e relatos indicam que ele perdoou seus agressores antes de falecer.
O reconhecimento do martírio foi autorizado pelo papa Francisco em 2025, permitindo a realização da cerimônia de beatificação. O Vaticano concluiu que a morte do padre ocorreu por ódio à fé, consolidando sua trajetória como o primeiro mártir do Movimento Sacerdotal Mariano e o primeiro beato de Mato Grosso.
Etapas para a canonização
Para se tornar santo, um candidato deve passar por quatro etapas: ser declarado Servo de Deus, Venerável, Beato e, finalmente, Santo. A beatificação requer a comprovação de um milagre após a morte, enquanto a canonização exige a confirmação de um segundo milagre.