A restrição ao uso de celulares nas escolas, que começou a valer em janeiro de 2025, tem se consolidado nas instituições públicas e privadas do Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) com gestores escolares indica que, apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos na implementação da medida.
A pesquisa abrangeu 8.189 escolas e foi realizada em parceria com o Inep, a Unesco e o Instituto Alana. Os dados mostram que 92% das escolas conseguiram implementar a restrição, e 97% dos gestores afirmam que a medida melhorou a participação dos alunos nas atividades pedagógicas.
Além disso, 86% dos diretores acreditam que a restrição contribuiu para a redução da ansiedade entre os estudantes, enquanto 88% relatam uma diminuição nos conflitos digitais e no cyberbullying. A socialização presencial também foi estimulada, segundo 95% dos gestores.
Entretanto, 39% dos diretores enfrentam dificuldades para convencer os alunos a aderirem às novas regras e para garantir a infraestrutura necessária para armazenar os celulares. Outros 31% relatam problemas na fiscalização do uso dos aparelhos durante as aulas e intervalos.
Entre os principais desafios, 67% dos gestores destacam a importância da parceria com as famílias para limitar o tempo de tela, e 61% solicitam formação docente em mediação tecnológica e saúde mental. Além disso, 60% dos diretores apontam a necessidade de melhorias nos espaços de lazer.
A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, ressaltou que os resultados da pesquisa evidenciam ganhos na sociabilidade dos alunos. Ela afirmou que não se trata de demonizar a tecnologia, pois o uso pedagógico dos celulares não é proibido. O estudo revelou que 86% dos gestores mantiveram e ampliaram atividades com tecnologias digitais.
Embora a pesquisa não tenha abordado os impactos na aprendizagem, Kátia afirmou que é possível concluir que a restrição melhora o comportamento dos alunos, o que, por sua vez, pode favorecer as condições de aprendizagem.
Uma pesquisa da Universidade Stanford, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, indicou que a proibição dos celulares nas escolas da capital carioca resultou em um aumento significativo no aprendizado, com alunos aprendendo em média 25,7% mais em matemática e 13,5% mais em língua portuguesa no ano letivo de 2024.