Na madrugada de segunda para terça, a capital ucraniana foi alvo de bombardeios aéreos russos, resultando na morte de pelo menos 12 pessoas. Os ataques, que ocorreram pela sexta noite seguida, atingiram principalmente áreas residenciais e a infraestrutura ferroviária da cidade.
Essa nova estratégia das forças russas, lideradas por Vladimir Putin, reflete uma escalada na guerra iniciada em fevereiro de 2022, com uma alternância entre mega-ataques e ondas constantes de bombardeios. Embora os ataques utilizem menos armamentos, eles são mais direcionados.
A Força Aérea da Ucrânia informou que foram utilizados 218 drones de ataque, dos quais 187 foram abatidos. Além disso, mísseis de cruzeiro e pelo menos cinco mísseis balísticos foram interceptados, evidenciando a escassez de munição para as baterias americanas Patriot, frequentemente solicitadas pelo presidente Volodimir Zelenski.
Uma nova tática observada é o uso mais frequente de drones a jato Gerânio-2, uma versão russa do drone iraniano Shahed-136. Esses drones, que alcançam velocidades de até 600 km/h, são mais difíceis de serem abatidos em comparação com os modelos anteriores, que voam a 180 km/h.
A taxa de interceptação dos drones a jato é de 60%, inferior aos 80% a 90% das versões anteriores. Segundo o porta-voz da Aeronáutica ucraniana, Iurii Ihnat, cerca de 90 drones a jato foram disparados contra a Ucrânia, especialmente em Kiev, em média a cada dia de agosto.
Os dados do Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (Acled) indicam que, até o dia 20 de agosto, a média de mortes diárias no conflito era de 20, com 15 ocorrendo na Ucrânia. Esse patamar é semelhante ao de julho, que registrou o maior número de civis mortos desde março de 2022.
O ataque mais mortal na região de Kiev ocorreu no sábado, quando 38 pessoas morreram em Butcha após um depósito de armas ser atingido. Além disso, a região portuária de Odessa também foi alvo de bombardeios.
Em resposta, Kiev atacou um dos maiores terminais de embarque de petróleo da Rússia, em Ust-Luga, e áreas próximas a uma refinaria em Samara. A campanha ucraniana tem se mostrado mais letal para civis russos, resultando em uma crise de desabastecimento de combustível na Rússia.
A violência entre os dois lados tem aumentado, refletindo a falta de progresso nas negociações diplomáticas. A porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, fez ameaças em resposta a queixas de países do Báltico sobre ações russas, afirmando que a resposta a tais provocações será decisiva.
A Estônia relatou que drones ucranianos entraram em seu espaço aéreo, um incidente que Kiev atribui a ações russas. A chancelaria russa também comentou sobre a tensão com o Japão, relacionada a exercícios militares que envolvem lançadores de mísseis Typhon.
Fonte: Noticiasaominuto