Na madrugada desta quinta-feira (2), a Rússia lançou um ataque em grande escala contra a capital ucraniana, Kiev, utilizando mísseis balísticos, de cruzeiro e drones. O bombardeio, classificado pelas autoridades locais como um "furioso ataque inimigo", provocou explosões intensas que abalaram a cidade por horas, resultando em destruição em todos os dez distritos da capital, localizados em ambos os lados do rio Dnipro.
De acordo com Tymur Tkachenko, chefe da Administração Militar da Cidade de Kiev, o ataque deixou pelo menos oito mortos e causou danos em cerca de trinta locais. O prefeito Vitali Klitschko, por sua vez, informou que há pelo menos 34 feridos, incluindo paramédicos e motoristas de ambulâncias.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, havia alertado previamente sobre a possibilidade de um bombardeio e decidiu encurtar sua visita a Dublin, na Irlanda, onde participava da cerimônia de início do mandato do país na presidência rotativa da União Europeia.
Após os primeiros alarmes, muitos moradores buscaram abrigo em estações de metrô, levando crianças, pertences e animais de estimação. Alertas de ataque aéreo foram emitidos em grande parte do território ucraniano, marcando este evento como o pior ataque russo desde junho.
A embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos, Olha Stefanishyna, descreveu a situação como
outra noite terrível para os moradores da cidade, que foram forçados a passá-la em abrigos
.
Os danos estruturais foram severos, com um edifício residencial de nove andares no distrito de Desnianskyi sendo parcialmente destruído, deixando moradores presos nos escombros. Incêndios também foram registrados em várias áreas, incluindo Sviatoshynskyi e Darnytskyi, onde equipes de resgate trabalham para retirar pessoas debaixo dos destroços.
No distrito de Shevchenkivskyi, cinco pessoas ficaram feridas, incluindo um paramédico em estado crítico. A gravidade da ofensiva levou a Polônia a enviar temporariamente caças a jato como medida preventiva, embora as aeronaves tenham retornado após verificar que não houve violação do espaço aéreo.
A intensificação dos ataques russos coincide com uma campanha de drones de longo alcance da Ucrânia em território russo, visando instalações militares e de energia. Recentemente, a Rússia relatou a derrubada de sete drones ucranianos na região de Leningrado, enquanto um ataque de drone em Belgorod resultou na morte de um homem.
Tanto a Rússia quanto a Ucrânia afirmam que não têm civis como alvos deliberados em suas operações. Zelenskyy propôs negociações com o presidente russo, Vladimir Putin, para encerrar o conflito, mas a proposta foi rejeitada.