A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, nesta segunda-feira (22), o registro do inluriyo (tosilato de inlunestranto), um novo medicamento oral destinado ao tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
Desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil, o fármaco é indicado como monoterapia, ou seja, deve ser utilizado isoladamente, para pacientes que já passaram por terapia endócrina e não obtiveram resposta satisfatória.
O medicamento é voltado para tumores que são resistentes a hormonioterapias, positivos para receptor de estrogênio (ER+) e negativos para o receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-), além de apresentarem mutações no receptor de estrogênio 1 (ESR1m). A Eli Lilly informou que essas alterações genéticas podem surgir ao longo do tratamento como um mecanismo de resistência e se tornam mais comuns à medida que a doença avança.
A empresa destacou que, em pacientes com câncer de mama metastático que já receberam pelo menos uma linha de tratamento hormonal, essas mutações podem estar presentes em até 50% dos casos de resistência hormonal, dependendo do tipo e do tempo de exposição à terapia anterior.
Os resultados do estudo Ember-3, que avaliou a eficácia do inluriyo, mostraram que a monoterapia reduziu o risco de progressão da doença ou morte em 38% em comparação com a terapia padrão. Para pacientes com câncer de mama metastático e mutação ESR1, a pesquisa indicou uma melhoria na sobrevida livre de progressão, com uma mediana de 5,5 meses, em contraste com os 3,8 meses observados com as terapias convencionais.
O câncer de mama é o tipo de tumor maligno mais comum entre mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), entre 2023 e 2025, são esperados 73.610 novos casos da doença, representando 30,1% de todos os cânceres diagnosticados em mulheres.