De acordo com a mais recente pesquisa Datafolha, apenas 28% dos brasileiros avaliam o trabalho de Carlo Ancelotti na seleção como bom ou ótimo, o que representa o menor índice registrado antes de um Mundial no século. Esse número é significativamente inferior ao de seus antecessores, como Luiz Felipe Scolari, que tinha 37% em 2002, e Tite, que obteve 64% em 2018.
Além disso, a pesquisa aponta uma descrença geral em relação à seleção, que não conquista a Copa há 24 anos. Apenas 29% dos entrevistados acreditam que o Brasil pode vencer o torneio em 2026, também o menor número do século. A pesquisa foi realizada com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 7 e 9 de abril, em 137 municípios.
A avaliação de Ancelotti não é vista apenas como uma desconfiança em seu trabalho, mas também reflete uma resistência à presença de um treinador estrangeiro. Embora essa resistência tenha diminuído, 31% dos entrevistados ainda se opõem à ideia de um não brasileiro no comando da seleção.
Ancelotti, que assumiu a seleção após um período conturbado, é o quarto estrangeiro a dirigir a equipe, sendo o primeiro de forma efetiva. Com um currículo notável, ele é o único treinador a conquistar títulos nas cinco principais ligas europeias e detém o recorde de vitórias na Champions League.
Apesar de seu prestígio entre os dirigentes da CBF, seu desempenho até agora foi mediano, com cinco vitórias, dois empates e três derrotas em dez jogos. Nos bastidores, a avaliação de seu trabalho é positiva, a ponto de já se discutir a renovação de seu contrato para o ciclo até a Copa de 2030.
Vale lembrar que a aprovação prévia de um técnico não é garantia de sucesso em um Mundial. Scolari, por exemplo, tinha apenas 37% de aprovação antes de levar o Brasil ao título em 2002, enquanto em 2014, sua popularidade era de 68%, mas resultou em uma derrota histórica para a Alemanha.