O afastamento de Edvaldo Neto, prefeito eleito de Cabedelo, ocorreu dois dias após sua vitória na eleição suplementar. A medida integra a Operação Cítrico, que investiga um suposto esquema de corrupção e vínculos com o crime organizado na administração municipal.
A decisão que autorizou o afastamento foi assinada pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba, três dias antes do pleito. Apesar da situação, Edvaldo participou da eleição e derrotou o deputado estadual Walber Virgolino.
A investigação está sendo conduzida pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba e pela Controladoria-Geral da União. Os documentos indicam a existência de um consórcio entre agentes públicos, empresários e membros de organizações criminosas atuando no município.
Segundo as apurações, o esquema envolvia contratações fraudulentas de empresas terceirizadas para empregar pessoas ligadas a facções criminosas, utilizando recursos públicos para financiar atividades ilícitas.
Os investigadores também relataram que o ex-prefeito André Coutinho teria rompido com o grupo ao perceber o avanço das investigações, resultando em exonerações por receio de envolvimento. Contudo, o esquema foi reorganizado posteriormente.
O ex-prefeito Vitor Hugo é mencionado como um possível articulador político, mediando a relação entre a administração pública e o grupo criminoso. As mudanças na gestão municipal teriam permitido a continuidade da influência da facção.
Além do afastamento de Edvaldo Neto, a decisão judicial também autorizou mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares contra os investigados.
A defesa de Edvaldo Neto manifestou tranquilidade em relação à decisão, ressaltando que o afastamento é provisório e não implica culpa. O prefeito nega qualquer ligação com organização criminosa e acredita que sua inocência será comprovada.
Rouger Guerra, mencionado na investigação, negou envolvimento e afirmou não ter conhecimento dos detalhes do processo, que está em sigilo. Ele colocou seu cargo de chefe de gabinete da Prefeitura de João Pessoa à disposição do prefeito Leo Bezerra.
Vitor Hugo, por sua vez, alegou ser alvo de perseguição política e negou qualquer conexão com os fatos investigados, afirmando que durante sua gestão não houve registros de atuação de facções criminosas no município.
Fonte: Polemicaparaiba