A deputada estadual Índia Armelau, reeleita como a mais votada do Rio de Janeiro, fez uma proposta controversa: que empresários verifiquem as redes sociais de seus funcionários e considerem a demissão daqueles que expressaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita em uma publicação nos Stories do Instagram, logo após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Na postagem, a parlamentar sugeriu que os donos de empresas investigassem as preferências políticas de seus empregados, afirmando:
Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’
. Ela complementou que não faria sentido manter em suas empresas pessoas que, segundo ela, "odeiam empresários".
O gesto de fazer a letra 'L' com a mão, associado à campanha de Lula, foi utilizado como referência na fala da deputada. Ao sugerir que a posição política dos trabalhadores influenciasse suas permanências nas empresas, a declaração gerou repercussão negativa e foi rapidamente removida.
Índia Armelau, que recebeu 248.504 votos nas eleições de 2026, é uma figura proeminente do bolsonarismo no estado. Desde sua primeira eleição em 2022, ela tem se posicionado como defensora de pautas conservadoras e apoiadora de Flávio Bolsonaro. Sua presença nas redes sociais, onde conta com cerca de 914 mil seguidores, é marcada por manifestações em favor de Jair Bolsonaro.
A sugestão da deputada levanta questões sobre discriminação política no ambiente de trabalho. A Constituição Federal do Brasil garante a liberdade de pensamento e manifestação política, e a legislação proíbe práticas discriminatórias que possam afetar a relação de emprego. O Ministério Público do Trabalho (MPT) alerta que ameaças ou constrangimentos relacionados a convicções políticas podem ser considerados assédio eleitoral.
Durante o período eleitoral, o MPT enfatizou que a preferência política dos trabalhadores não deve ser usada como justificativa para retaliações. A procuradora Geny Helena Fernandes Barroso Marques destacou que a interferência na liberdade política de um funcionário é problemática quando ocorre a partir de uma posição de poder.
Fonte: Noticiasaominuto