O professor doutor Wescley Rodrigues, em sua participação no programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, discutiu a relação da população de Cajazeiras com sua memória histórica. Ele estava no programa para divulgar o seminário
100 Anos da Invasão dos Cangaceiros a Cajazeiras
, que celebra o centenário da invasão do cangaceiro Sabino Gomes e seu bando ao município. Durante a conversa, ele criticou a falta de valorização da história local tanto pelos cidadãos quanto pelas instituições.
Wescley enfatizou que, apesar da importância de Cajazeiras na história do Sertão paraibano, a memória coletiva da cidade está desconectada de eventos significativos.
É até um pouco duro falar isso, mas eu tenho lugar de fala porque eu sou cajazeirense. Eu costumo dizer que em Cajazeiras nós vivemos muito em torno de uma ficção do Padre Rolim, mas não valorizamos a nossa história local. O cajazeirense sabe muito pouco da história da cidade — afirmou.
O professor também apontou a carência de investimento no ensino e na promoção de obras locais relevantes para combater esse desconhecimento. Ele mencionou o livro de Ivan Bichara, descrevendo-o como
uma obra-prima, uma escrita magnífica e que é pouco divulgado para as pessoas lerem
.
Ao discutir a resistência da cidade contra o bando de Sabino Gomes, que ocorreu um ano antes do famoso ataque a Mossoró (RN), Wescley destacou a falta de construção de uma identidade em torno dessa vitória.
Mossoró criou toda uma identidade em torno disso, mas Cajazeiras, um ano antes, venceu os cangaceiros. Nós sabemos pouquíssimo dessa história — ressaltou.
Durante a entrevista, o historiador também abordou a romantização do cangaço e desmentiu a ideia de que Cajazeiras teria sido poupada por intervenção do Padre Cícero Romão Batista.
Sabino era um dos cangaceiros mais cruéis de Lampião. Desculpe os descendentes, mas nós não podemos, de certa maneira, romantizar. Era um homem extremamente bárbaro, era um homem extremamente cruel — destacou. Ele completou afirmando que a ideia de que os cangaceiros não invadiram Cajazeiras por causa do Padre Cícero "não tem procedência".
Fonte: Diariodosertao