O Ministério da Saúde está avaliando a possibilidade de solicitar à Conitec a inclusão de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS), em cumprimento a uma promessa de campanha do presidente Lula. No entanto, ainda não há definição sobre a apresentação do pedido, que pode ocorrer antes das eleições de outubro.
A pasta está analisando dados sobre os efeitos dos medicamentos e o impacto financeiro de possíveis compras públicas, com base em um estudo realizado no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, envolvendo 250 pacientes com obesidade grave. Esses dados serão fundamentais para determinar o público-alvo que poderá receber o tratamento.
Após a solicitação, a Conitec terá um prazo de 180 dias, prorrogável por mais 90, para emitir um parecer. Posteriormente, o ministério precisará formalizar o protocolo de uso e discutir o financiamento com estados e municípios.
Além disso, a Conitec já recebeu um pedido da farmacêutica Novo Nordisk para incluir o Wegovy, um medicamento à base de semaglutida, no SUS, visando atender pacientes com obesidade que já sofreram infarto. A consulta pública ainda não foi aberta, e um parecer pode ser emitido até o final do ano.
A Novo Nordisk estima que cerca de 38.598 pacientes poderiam ser beneficiados, com um custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões. Em 2025, a Conitec já havia rejeitado um pedido da farmacêutica para um público mais amplo, citando um impacto financeiro de até R$ 8 bilhões.
Estudos indicam que muitos medicamentos solicitados judicialmente já têm recomendação favorável para incorporação ao SUS, mas a oferta pode não ser imediata. Lula destacou a importância das canetas emagrecedoras em sua campanha, afirmando que elas serão utilizadas para tratar gratuitamente pessoas com obesidade.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a pasta já estava trabalhando na inclusão do produto no SUS, desconsiderando a ideia de que o anúncio seria eleitoreiro. As canetas emagrecedoras são agonistas de GLP-1, utilizados no controle da glicose e na saciedade, e são indicadas para diabetes e obesidade.
A pressão para ampliar a oferta e reduzir os custos dos emagrecedores é intensa, mas o uso fora da bula e a popularização de versões manipuladas geram preocupações entre associações médicas. A queda da patente da semaglutida em março deste ano tornou viável a oferta mais ampla no SUS.
Desde a queda da patente, a Anvisa registrou novos produtos com semaglutida, mas todos com indicação apenas para controle do diabetes. Portanto, atualmente, apenas produtos da Novo Nordisk podem competir em licitações para tratamento da obesidade.
Fonte: Noticiasaominuto