Um relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indica que o planeta está a caminho de exceder o limite de 1,5°C de aquecimento, estabelecido pelo Acordo de Paris. O documento, intitulado 'Limiting overshoot', discute as consequências desse aumento e as opções disponíveis para reverter a situação.
Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma, enfatiza a necessidade de manter o pico de aquecimento o mais baixo e breve possível. O Acordo de Paris, assinado em 2015, compromete os países a limitar o aumento da temperatura global a bem abaixo de 2°C, com o objetivo de não ultrapassar 1,5°C. Contudo, as atuais emissões, principalmente de combustíveis fósseis, indicam que esse limite será superado antes do final da década.
A estratégia proposta por Andersen envolve uma rápida e significativa redução das emissões de gases de efeito estufa, visando alcançar emissões líquidas zero e, posteriormente, negativas. Isso requer a remoção de dióxido de carbono da atmosfera, utilizando métodos naturais e tecnologias em desenvolvimento.
O relatório também destaca a necessidade de uma vontade política mais forte e de uma governança inclusiva para enfrentar os desafios climáticos. Andersen ressalta que países com maior responsabilidade histórica devem liderar os esforços de mitigação.
O estudo do Pnuma delineia três fases para lidar com o 'overshoot': implementar políticas imediatas para reduzir emissões, investir em descarbonização e garantir que as emissões líquidas sejam eventualmente negativas. Debra Roberts, uma das autoras do relatório, alerta sobre o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.
O relatório reconhece que retornar a uma temperatura específica não reverterá os danos já causados, especialmente em ecossistemas vulneráveis. Andersen observa que a mudança de foco, de evitar ultrapassar 1,5°C para trabalhar para retornar a esse limite, reflete a realidade atual do planeta.
Bill Hare, diretor da Climate Analytics, critica o relatório por não apresentar soluções claras e por omitir a necessidade de eliminar combustíveis fósseis. Ele argumenta que muitos setores já têm potencial para zerar suas emissões até 2050, se houver ambição política suficiente.
Fonte: Noticiasaominuto