O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega a Fortaleza nesta sexta-feira (10) em um momento de crise interna no partido, que deve decidir em convenção sobre candidaturas majoritárias e a aliança com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará.
A visita ocorre duas semanas após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticar a aliança com Ciro em um vídeo, onde expressou descontentamento com as articulações políticas dos filhos de Jair Bolsonaro.
Durante sua estadia em Fortaleza, Flávio participará do lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado estadual Alcides Fernandes, que é considerado um dos principais apoiadores da aliança com Ciro. Essa estratégia visa criar uma frente ampla para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT).
A presença do senador no evento é interpretada como um apoio a Alcides, o que pode marginalizar a vereadora Priscila Costa (PL), que também se movimenta para concorrer ao Senado com o respaldo de Michelle.
Nos últimos dias, a cúpula nacional do PL tem buscado promover a unidade, mas a disputa interna tem gerado divisões entre os líderes do partido e dentro da própria família Bolsonaro.
Priscila Costa, que se declara pré-candidata ao Senado, manifestou apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência e afirmou que não pretende alimentar conflitos no grupo.
Embora haja duas cadeiras em disputa, é improvável que o PL lance dois candidatos ao Senado, especialmente com a presença do ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) na corrida.
O deputado federal André Fernandes (PL) informou que a decisão sobre a candidatura ao Senado será tomada nas convenções, programadas entre 20 de julho e 5 de agosto, e negou a possibilidade de uma candidatura própria ao governo.
A maioria dos deputados do PL no Ceará apoia a chapa com Alcides para o Senado e Ciro Gomes para o governo.
A cúpula nacional do PL busca uma solução consensual, com o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmando que todos estão unidos para ajudar a eleger Flávio Bolsonaro presidente.
A disputa pelo palanque no Ceará entre Michelle e os filhos de Bolsonaro começou em dezembro de 2025, após críticas de Michelle à aliança com Ciro. Desde então, a tensão aumentou, com Flávio e seus irmãos defendendo André Fernandes.
Nos vídeos divulgados recentemente, Michelle expressou ter se sentido desrespeitada e criticou a aliança com Ciro, defendendo o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo). Desde então, ela tem evitado novas declarações públicas.
Ciro Gomes não deve participar do evento com Flávio e tem se distanciado da disputa presidencial, afirmando que a crise no PL é um assunto interno do partido.
Apesar de seu histórico de antagonismo ao bolsonarismo, Ciro tem buscado uma frente ampla contra o PT, que governa o Ceará há 12 anos.
A aproximação do PL com Ciro representa uma mudança de estratégia, priorizando uma candidatura competitiva ao Senado em vez de uma candidatura própria com poucas chances de vitória.
Ciro Gomes e André Fernandes têm trabalhado para alinhar suas posições, publicando críticas à gestão do governador Elmano de Freitas, que deve ser um tema central na campanha.
No campo governista, Elmano enfrenta divisões em sua base aliada, enquanto o senador Cid Gomes, principal aliado do PT no estado, se mantém isolado e não participou de uma agenda recente com o presidente Lula.
Cid continua a apoiar Elmano, mesmo com a candidatura de seu irmão Ciro, e está sendo pressionado a concorrer à reeleição ao Senado.
Outros nomes, como os deputados federais Eunício Oliveira (MDB) e Luizianne Lins (Rede), também se lançaram como pré-candidatos ao Senado.