As eleições na Colômbia e no Peru resultaram em uma mudança significativa no cenário político da América do Sul, com a direita assumindo o controle da maioria dos governos na região. Com as vitórias de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e de Keiko Fujimori, no Peru, a direita, centro-direita e extrema-direita agora representam 58,3% da população sul-americana, abrangendo sete dos doze países.
Atualmente, os países sob liderança de direita incluem Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru. Em contrapartida, Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname são governados por líderes de esquerda ou centro-esquerda.
No Peru, Keiko Fujimori obteve uma vantagem considerada irreversível na madrugada de quarta-feira, 24 de junho, com cerca de 42 mil votos de diferença sobre o candidato esquerdista Roberto Sánchez. Essa diferença foi impulsionada pelos votos de peruanos no exterior, onde Fujimori conquistou mais de 63% dos votos.
Na Colômbia, Abelardo de la Espriella, da extrema direita, foi declarado vencedor da eleição presidencial no último domingo, 21 de junho, após uma disputa acirrada com o senador de esquerda Iván Cepeda. De la Espriella recebeu 49,66% dos votos, enquanto Cepeda obteve 48,7%, resultando em uma diferença de aproximadamente 250 mil votos.
Essas mudanças políticas refletem uma tendência observada nos últimos anos, onde a direita tem ganhado espaço após um período de predominância da esquerda no início dos anos 2000, conhecido como "onda rosa". Recentemente, as eleições no Chile, na Bolívia, e agora na Colômbia e no Peru, consolidaram essa nova configuração.
O cientista político Rogério Pereira aponta que o avanço da direita é resultado de uma combinação de fatores, como instabilidades econômicas, crises políticas e a frustração popular com promessas não cumpridas. Ele destaca que a alternância entre direita e esquerda é um fenômeno recorrente na região, ligado à percepção de que os governos têm dificuldade em entregar resultados concretos.
Henrique Hellas, também cientista político, observa que o crescimento das candidaturas de direita e extrema-direita está associado ao desgaste dos modelos políticos tradicionais, com uma rejeição significativa ao modelo de política convencional, agravada pela insegurança pública e frustrações econômicas.
Com a nova configuração política na América do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) governará em um continente majoritariamente liderado por governos de direita. Pereira acredita que, devido ao peso econômico do Brasil, o país não deve enfrentar isolamento político, enquanto Hellas prevê dificuldades para a articulação política do governo brasileiro.
A predominância de governos de direita pode abrir espaço para novas formas de cooperação regional, especialmente em temas como segurança pública e combate ao crime organizado, áreas que ganharam destaque na agenda de países como o Peru.