Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao Governo de São Paulo, comentou em entrevista ao Kritike Podcast sobre a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA). Haddad enfatizou que
a lei tem que ser aplicada independentemente de torcida
.
A declaração de Haddad ocorreu no mesmo dia em que a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Durante a operação, a Polícia Federal encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros, totalizando cerca de R$ 471 mil, em endereços associados a Wagner. A assessoria do senador informou que o montante é proveniente de diárias legais, que foram declaradas e não utilizadas em missões internacionais.
Wagner, que não é réu nem foi acusado em qualquer processo relacionado às investigações, afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. Haddad, por sua vez, destacou que a proximidade política não deve interferir na apuração de suspeitas.
Se um adversário meu não errou, ele tem que ter os seus direitos garantidos de defesa e tudo mais. E, se um aliado meu errou e está comprovado, paciência. O país tem que funcionar assim — declarou Haddad.
O pré-candidato do PT também mencionou que Wagner já havia prestado esclarecimentos e que cabe às autoridades avaliar as informações apresentadas. Haddad elogiou o presidente Lula, afirmando que, em seu governo, "as instituições funcionam".
Ele comparou a postura de Lula à do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo Haddad, interferiu na Polícia Federal para proteger seus filhos.
O que o Lula falou? Se meu filho tiver explicações a dar, ele vai dar — disse.
A investigação da PF sobre Wagner apura se ele recebeu pagamentos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa da esposa de seu enteado, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. A PF identificou um pagamento de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao empresário Augusto Lima ao "núcleo familiar" de Wagner.
A defesa de Lima afirmou que os fatos serão esclarecidos e que ele sempre agiu dentro da lei. Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e um dos principais aliados do presidente Lula, já havia sido alvo de investigações anteriores, como a Operação Cartão Vermelho, que apurou suspeitas de repasses de empreiteiras.
Esse caso foi anulado em 2019 pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que considerou que a investigação não era de competência da Justiça Federal, uma vez que os recursos para a reforma do estádio vieram do estado da Bahia.