A Colômbia se prepara para as eleições do segundo turno neste domingo (21), onde os eleitores terão que escolher entre Abelardo de la Espriella, candidato da ultradireita, e Iván Cepeda, representante da esquerda e apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro.
Os dois candidatos apresentam perfis marcadamente distintos. Abelardo de la Espriella, sem experiência em cargos públicos, se destaca por sua abordagem extravagante, enquanto Iván Cepeda adota uma postura mais austera em sua campanha.
Espriella lidera as pesquisas de intenção de voto e, se eleito, poderá encerrar o primeiro governo de esquerda da Colômbia, um país que enfrenta mais de seis décadas de conflito armado.
A continência e o tigre
Durante seus comícios, Espriella termina suas falas com a mão direita no cenho, prestando continência e gritando: "Firme pela pátria!". Embora não tenha formação militar, ele inspira seus apoiadores a adotarem essa saudação.
Seus eventos são frequentemente acompanhados por militares reformados, que se alinham ao som do hino nacional. O candidato promete que, se eleito, sua cerimônia de posse ocorrerá em um batalhão.
O apelido de Espriella, "El Tigre
, foi inspirado por uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe, que afirmou que a Colômbia precisava de
um tigre" na presidência. Espriella incorporou essa imagem, similar a outros líderes políticos que adotaram símbolos de animais.
A campanha de Iván Cepeda
Por outro lado, Iván Cepeda busca conquistar o eleitorado jovem, especialmente os fãs de K-pop, um gênero musical que mobiliza milhões ao redor do mundo. Sua campanha, considerada por alguns como enfadonha, utiliza gestos simbólicos como o coração coreano, que se tornou popular entre os jovens.
Os apoiadores de Cepeda, em sua maioria da geração Z, têm se organizado para promover suas propostas com danças, cartazes e vídeos que incluem músicas de grupos como BTS.
A camisa da seleção
A camisa amarela da seleção de futebol da Colômbia se tornou um símbolo associado à direita durante a campanha de Espriella. No contexto da Copa do Mundo de Futebol de 2026, o candidato e seus seguidores têm utilizado a camisa, o que gerou desconforto entre os opositores, que acusam a direita de se apropriar de um símbolo nacional.
A estratégia de Espriella é semelhante à utilizada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, que também adotaram as cores da seleção como símbolo político. Apesar de uma decisão judicial que inicialmente proibiu Espriella de usar a camisa como símbolo, a Suprema Corte suspendeu essa decisão.