A China publicou um documento que apresenta sua Iniciativa de Governança Global, na qual se opõe a ações unilaterais e hegemônicas, e reforça a importância do papel central da ONU (Organização das Nações Unidas). O texto, divulgado na manhã desta quarta-feira (17) no horário local, também pede uma reforma abrangente da entidade e de seu Conselho de Segurança.
O documento destaca que o mundo enfrenta crises sem precedentes, caracterizadas por tensões geopolíticas e desigualdades econômicas. A China defende que é necessário dar mais voz ao chamado "Sul Global" e estabelecer normas para setores emergentes, como a inteligência artificial.
Embora não mencione os Estados Unidos diretamente, o documento é lançado em um contexto em que a China busca se posicionar como um pivô diplomático, especialmente em resposta a ações do governo americano, que incluem tarifas unilaterais e intervenções militares.
A China afirma que "nunca permitirá" que quem tem o "punho maior" dite as regras. O país propõe uma reforma total da ONU para que ela se alinhe ao atual contexto geopolítico, com foco em aumentar a representatividade de países em desenvolvimento no Conselho de Segurança.
Pequim tem defendido essa reforma há pelo menos 20 anos. Em um documento de 2005, já se afirmava que a representação das nações em desenvolvimento deveria ser uma prioridade. Atualmente, esses países representam mais de dois terços dos membros da ONU, mas estão sub-representados no Conselho de Segurança.
Em 2023, a China, junto com outros membros do Brics, reiterou a necessidade de uma reforma abrangente da ONU, visando torná-la mais democrática e eficaz. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem sido uma voz ativa em favor dessa reforma, destacando a baixa representatividade de países como Brasil, Índia e África do Sul.
Durante uma visita a Barcelona em abril, Lula comentou que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança se tornaram "senhores da guerra". Até o momento, 160 países e organizações internacionais já manifestaram apoio à iniciativa de governança chinesa.
A Iniciativa de Governança Global foi lançada em agosto de 2025, durante a cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai, onde o presidente Xi Jinping destacou a necessidade de um sistema internacional mais justo. O documento também condena o risco de retorno à "lei da selva", onde a força bruta prevalece sobre o direito internacional.
Além disso, a China reafirma seu compromisso de "não ser o primeiro a usar" armas nucleares, defendendo que uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada.