Um novo relatório do Unicef revela que 30% das crianças e adolescentes brasileiros, o que equivale a 16 milhões de indivíduos, estão expostos a pelo menos três ameaças climáticas. Essa situação coloca em risco a saúde, a educação e a sobrevivência dessa população.
Os eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e tempestades, são os principais fatores que contribuem para essa vulnerabilidade. Globalmente, cerca de 1,1 bilhão de crianças e adolescentes, ou quase metade da população com menos de 18 anos, enfrenta riscos semelhantes.
Os especialistas do Unicef alertam que, com a previsão de um El Niño mais intenso neste ano, é urgente que os governos desenvolvam estratégias de proteção para as crianças e adolescentes, que são os mais afetados por essas mudanças climáticas.
O Relatório de Risco Climático das Crianças 2026 utiliza dados recentes para mapear a exposição das crianças a oito ameaças climáticas recorrentes, incluindo enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes de rios, tempestades de areia e poeira, e tempestades tropicais.
Entre as combinações de riscos climáticos, a mais comum é a que envolve seca, calor extremo e ondas de calor, afetando mais de 296 milhões de crianças globalmente. No Brasil, essa combinação é uma das que mais impacta a população infantil.
Além das ameaças climáticas, o relatório também aborda a exposição das crianças à poluição do ar e à malária, que são riscos sensíveis às mudanças climáticas. Os dados indicam que 95% das crianças brasileiras, ou 47 milhões, são afetadas pela poluição do ar, enquanto 5,6 milhões, ou 11% da população infantil, estão expostas à malária.
Danilo Moura, especialista em mudanças climáticas do Unicef no Brasil, destaca que
quase todas as crianças do país já estão tendo seus direitos afetados pelas mudanças climáticas
. Ele enfatiza que a poluição do ar e as ondas de calor têm efeitos particularmente prejudiciais sobre as crianças pequenas, podendo resultar em problemas de saúde a longo prazo.
Moura também ressalta que eventos climáticos como secas e tempestades impactam o direito à educação das crianças e adolescentes, além de representarem uma ameaça à vida.
O relatório visa alertar sobre a necessidade de ações governamentais para mitigar o aumento das temperaturas e garantir que os direitos básicos das crianças e adolescentes afetados sejam respeitados, incluindo acesso à educação, saúde, água, saneamento básico e segurança alimentar.
Diante da crescente frequência desses eventos climáticos, Moura conclui que é fundamental que os governos adotem medidas para proteger as crianças, que são as menos responsáveis pela crise climática, mas as mais vulneráveis e impactadas.