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Calor extremo pode impactar saúde de jogadores na Copa de 2026

A Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá nos EUA, Canadá e México, enfrenta riscos de calor extremo, que pode afetar a saúde e o desempenho dos atletas durante os jogos.
Foto: Calor extremo

A Copa do Mundo da FIFA de 2026, que será realizada no Canadá, Estados Unidos e México, promete ser a maior edição do torneio. No entanto, as 48 seleções que participarão podem enfrentar um desafio inesperado: o calor extremo. Temperaturas elevadas são esperadas em diversos estados americanos, como Texas, Califórnia e Flórida, onde os riscos de incêndios florestais também são destacados.

O torneio terá início em 11 de junho e as dificuldades impostas pelo calor já foram evidenciadas na Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025, que ocorreu nos mesmos meses e em muitos dos mesmos locais. Jogadores e treinadores relataram condições climáticas desafiadoras, como o técnico do Borussia Dortmund, Niko Kovač, que afirmou estar

suando como se tivesse acabado de sair de uma sauna

após uma partida em Cincinnati.

O meio-campista do Chelsea, Enzo Fernández, descreveu as condições como "muito perigosas", ressaltando que "tudo fica muito lento". Durante uma partida em Miami, o técnico da Juventus, Igor Tudor, revelou que dez jogadores solicitaram substituições devido ao calor, que alcançou 30ºC com 70% de umidade.

A última Copa do Mundo na América do Norte, em 1994, também foi marcada por episódios relacionados ao calor. O atacante alemão Jürgen Klinsmann recordou ter jogado em Dallas a 49°C, enquanto o técnico da República da Irlanda, Jack Charlton, foi advertido pela FIFA por jogar garrafas de água no campo para ajudar seus jogadores.

O calor extremo não apenas causa desconforto, mas também representa riscos à saúde e ao desempenho dos atletas. Casos de fadiga, desmaios e hospitalizações já foram documentados, como o desmaio do árbitro guatemalteco Humberto Panjoj durante a Copa América de 2024.

Estudos indicam que o calor altera o desempenho dos jogadores, que percorrem distâncias menores e se cansam mais rapidamente. Além disso, partidas em climas quentes têm sido associadas a um aumento nas disputas de pênaltis.

A Temperatura Global de Bulbo Úmido (WBGT) é um indicador importante para avaliar o estresse térmico. Entidades reguladoras do futebol, como o sindicato mundial dos jogadores Fifpro, consideram que uma WBGT acima de 28°C pode justificar o adiamento ou cancelamento de partidas.

Um estudo indicou que 14 das 16 cidades-sede da Copa do Mundo provavelmente excederão esse limite. Embora a FIFA tenha tentado mitigar os riscos ao programar jogos fora dos horários mais quentes, ainda existem partidas de alto risco, especialmente em Miami e Kansas City.

A final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, está programada para às 15h, quando a probabilidade de calor extremo é de cerca de 30% em um verão típico. As ondas de calor estão se tornando mais frequentes e intensas, o que pode afetar até mesmo cidades consideradas de menor risco.

Os estádios com ar-condicionado podem proteger jogadores e árbitros, mas os torcedores ainda enfrentarão condições adversas ao ar livre. A política atual da FIFA prevê intervalos de hidratação de três minutos, mas especialistas alertam que o limite para medidas mais rigorosas é considerado alto.

Cientistas e especialistas médicos enviaram uma carta aberta à FIFA pedindo a revisão das diretrizes de proteção contra o calor. Recomendações incluem aumentar o tempo das pausas de resfriamento e adotar regras mais claras para o adiamento de partidas.

A Copa do Mundo de 2026 poderá ser um teste crucial para o futebol em um mundo em aquecimento. Embora a programação de partidas fora dos horários mais quentes seja um passo positivo, as crescentes temperaturas podem exigir soluções mais abrangentes.

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