Em uma visita técnica a uma fábrica de embalagens em Aguiar, no Alto Sertão paraibano, representantes do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e da Prefeitura local se reuniram para discutir a implementação de projetos de coleta seletiva e reciclagem na região. A iniciativa busca fortalecer a economia circular e promover a inclusão socioprodutiva de catadores de materiais recicláveis.
A visita foi liderada pela promotora de Justiça Cláudia Cabral, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente (CAO Meio Ambiente). O encontro faz parte da estratégia do MPPB de incentivar políticas públicas ambientais que garantam a destinação adequada dos resíduos sólidos e a redução do envio de materiais recicláveis para aterros.
Durante a visita, o prefeito Manuel Batista Filho e o vereador Wyderes Nobre acompanharam a apresentação do funcionamento da unidade fabril, que já realiza processos de reaproveitamento de matéria-prima reciclada. A equipe conheceu as etapas da linha produtiva, que incluem o processamento do plástico e a transformação em bobinas.
A empresa também apresentou um projeto de ampliação que envolve a aquisição de novos equipamentos e a instalação de máquinas para lavagem, trituração e beneficiamento de materiais recicláveis. O objetivo é aumentar a capacidade de processamento, com potencial para aproveitar centenas de toneladas de resíduos plásticos mensalmente.
Para o CAO Meio Ambiente, a presença de uma planta industrial capaz de absorver material reciclável representa uma oportunidade para estruturar uma cadeia regional de economia circular no Alto Sertão. A proposta é transformar o resíduo em uma matéria-prima com valor econômico, social e ambiental.
O que vimos aqui é a economia circular acontecendo na prática. O plástico que antes poderia ser descartado de forma inadequada pode ser coletado, separado, processado e reinserido na cadeia produtiva, gerando emprego, renda e desenvolvimento sustentável — afirmou a promotora.
A atuação do MPPB visa incentivar a criação de políticas públicas permanentes de coleta seletiva, incluindo a organização de cooperativas e a instalação de galpões de triagem. A proposta também envolve o diálogo com o Poder Legislativo municipal para a criação de marcos legais que garantam a continuidade e eficiência das políticas.
Outro aspecto importante discutido foi a inclusão dos catadores de materiais recicláveis como protagonistas do processo. Para o CAO Meio Ambiente, a coleta seletiva deve ser vista não apenas como uma medida ambiental, mas também como uma política de justiça social, assegurando dignidade e melhores condições de trabalho.
A visita à fábrica em Aguiar integra a agenda do CAO Meio Ambiente para a construção de um projeto estadual de coleta seletiva, com foco em sustentabilidade e redução de resíduos. A iniciativa reafirma o papel do MPPB como indutor de soluções ambientais, promovendo a colaboração entre o poder público, o setor produtivo e a sociedade civil.