Marcus Vinícius Neves, presidente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), expressou sua preocupação com a instalação da CPI da Cagepa na Câmara Municipal de João Pessoa. Ele afirmou não ver um 'elemento determinante' nas discussões que cercam a comissão, que foi criada para investigar o despejo irregular de efluentes na orla da cidade e questões relacionadas ao saneamento.
Em sua análise, Neves destacou a confusão em torno do foco da investigação, mencionando que já ouviu diferentes versões sobre os motivos da CPI. 'É para discutir a PPP? É despejo de esgoto? É falta d’água? Então vamos discutir o fato específico', declarou.
O presidente da Cagepa também revelou que se ofereceu para participar de uma audiência pública antes da abertura da CPI, mas não foi ouvido por quem propôs a investigação. 'Isso é interessante', comentou.
Durante uma entrevista ao programa Liga 360 Debate, Neves observou que o tom das discussões sobre a CPI tem se desviado do objetivo de apuração técnica. 'Percebi que muitas vezes ele foge de querer apurar o fato', afirmou.
Ele expressou sua tristeza com a decisão do Legislativo municipal, mas se mostrou aberto ao debate. Além disso, Neves enfatizou que a discussão sobre saneamento e drenagem urbana deve envolver não apenas a Cagepa, mas também outros órgãos públicos, incluindo a Prefeitura de João Pessoa.
A CPI foi autorizada pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Dinho Dowsley, após parecer favorável da Procuradoria da Casa. A proposta, apresentada pelo vereador Ícaro Chaves, prevê a formação de uma comissão com cinco a sete integrantes para investigar as denúncias.
De acordo com o Regimento Interno da Câmara, a CPI terá um prazo determinado e poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais. Se forem encontrados indícios de irregularidades, as conclusões poderão ser encaminhadas ao Ministério Público da Paraíba.