A desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, usou suas redes sociais para relatar uma experiência de racismo estrutural que enfrentou em um supermercado. No vídeo, publicado no último domingo, ela descreve como foi confundida com uma funcionária do local enquanto fazia compras após uma caminhada matinal.
Durante seu relato, Adenir explicou que foi abordada repetidamente por uma mulher que buscava informações sobre os produtos. A desembargadora observou que, para a mulher, era natural supor que ela trabalhava ali, refletindo uma lógica enraizada na sociedade brasileira.
Para ela era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la — afirmou.
A magistrada ressaltou que a mulher não agiu de forma racista intencionalmente, mas que sua atitude era um reflexo de uma mentalidade comum que associa pessoas negras a funções de serviço. "O lugar natural do preto é o serviço", disse ela, enfatizando a necessidade de desconstruir essa percepção.
Adenir também abordou a questão da representatividade no Judiciário, apontando a escassez de pessoas negras, especialmente mulheres, em posições de poder.
A lógica diz: ‘Não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz. Preto não é desembargador’ — declarou, destacando a exclusão histórica enfrentada por esses grupos.
Ela concluiu seu relato afirmando que, fora do ambiente institucional e sem os símbolos de seu cargo, é vista apenas como "mais um corpo preto".
O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada um domingo de cada vez
, finalizou.
Fonte: Metropoles