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Crescimento da Dieta Baby GAPS Levanta Preocupações Nutricionais

A dieta Baby GAPS, adaptação do protocolo GAPS para bebês, tem ganhado popularidade, mas especialistas alertam para riscos nutricionais significativos, especialmente na infância.
Foto: Imagem colorida de comida para criança - Metrópoles

A dieta Baby GAPS, uma versão adaptada do protocolo GAPS, tem atraído a atenção de pais no Brasil e no exterior, especialmente aqueles com bebês em fase de introdução alimentar. Embora a dieta prometa benefícios à saúde ao evitar certos alimentos, especialistas destacam a falta de evidências científicas que comprovem suas vantagens e alertam sobre os riscos associados, principalmente para crianças pequenas.

Desenvolvida pela médica e nutricionista britânica Natasha Campbell-McBride, a dieta GAPS foi inicialmente criada para adultos e se baseia em um alto consumo de proteínas animais. A versão para bebês, descrita no livro 'GAPS Baby, Building Baby's Biome', orienta a introdução de alimentos pastosos, como caldos e sopas, e o uso frequente de probióticos. No entanto, especialistas afirmam que essa abordagem pode não trazer os benefícios esperados e, em vez disso, causar problemas de saúde.

Não existem ensaios clínicos robustos que validem a dieta GAPS, e as sociedades Europeia e Norte-Americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica não recomendam seu uso. Dietas altamente restritivas podem acarretar riscos nutricionais significativos, como deficiências de micronutrientes e restrição calórica

, alerta a gastropediatra Camila Torga de Lima e Silva.

A disseminação da Baby GAPS é impulsionada por informações incorretas que associam a dieta a melhorias na imunidade de bebês prematuros ou com sensibilidades alimentares. Além disso, algumas alegações infundadas relacionam a dieta a questões como vacinação e autismo, teorias que já foram refutadas pela ciência. A gastropediatra Camila Silva enfatiza que não há evidências que sustentem a ideia de que o intestino permeável seja a causa de doenças neurológicas.

Outro ponto crítico é a restrição de alimentos como leguminosas e glúten, que são proibidos pelo protocolo GAPS. No entanto, as diretrizes pediátricas atuais recomendam a introdução de feijão a partir dos 6 meses e glúten entre 6 e 12 meses, contradizendo as práticas da dieta Baby GAPS. A exclusão do glúten é indicada apenas em casos de doença celíaca confirmada.

Embora a restrição de açúcar seja respaldada por organizações médicas, a ideia de eliminar completamente os carboidratos, como preconiza a dieta carnívora, é problemática. Os carboidratos são essenciais para o crescimento infantil, e dietas restritivas podem levar a déficits calóricos e prejudicar o desenvolvimento neurocognitivo.

Orientações para uma Introdução Alimentar Saudável

As diretrizes internacionais e brasileiras recomendam iniciar a alimentação complementar aos 6 meses de idade, observando sinais de prontidão como controle da cabeça e interesse por alimentos. A introdução deve ser gradual e variada, priorizando uma dieta diversificada para promover a saúde e prevenir alergias.

A especialista sugere que um novo alimento seja introduzido de cada vez, com atenção especial a alimentos potencialmente alergênicos, como ovo e peixe. A alimentação deve incluir uma variedade de vegetais, frutas, cereais e fontes de proteína, com a consistência dos alimentos evoluindo conforme o desenvolvimento da criança.

A partir dos 10 a 12 meses, as crianças podem começar a consumir alimentos da família, com a adição de sal recomendada apenas após 1 ano de idade, conforme as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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