A pediatra Rosane Alice Barbosa Bomfim de Morais, de 31 anos, enfrentou a leucemia agressiva e, após um longo tratamento, conseguiu realizar o sonho de ser mãe. Hoje, ela não apenas celebra a maternidade, mas também se dedica a ajudar outros bebês ao doar leite materno para recém-nascidos prematuros.
Rosane, que vive em São Paulo, começou a doar leite há cerca de três meses, contribuindo com mais de meio litro por coleta ao Banco de Leite Humano do Hospital do Servidor Público Estadual. Sua trajetória começou em 2015, quando ainda estudava medicina em Fortaleza e recebeu o diagnóstico de leucemia após apresentar febre e dores de cabeça.
Após um transplante de medula óssea em 2016, os médicos informaram que as chances de engravidar eram mínimas. Apesar disso, Rosane e seu marido mantiveram o sonho de formar uma família, considerando até a adoção. Anos depois, durante a residência médica em Pediatria, ela descobriu que estava grávida, um momento que descreve como profundo e significativo.
O nascimento de Davi despertou em Rosane a vontade de ajudar outros recém-nascidos. Como pediatra, ela já conhecia a importância do leite humano para prematuros e decidiu se tornar doadora. O leite materno é essencial para a proteção e o desenvolvimento saudável dos bebês, especialmente os que estão internados.
O pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum explica que o leite materno contém imunoglobulinas que ajudam a proteger os recém-nascidos contra infecções e favorecem o ganho de peso. Mães saudáveis podem se tornar doadoras após avaliações de saúde, e o leite coletado é processado antes de ser distribuído.
Rosane reflete sobre como a experiência com a doença transformou sua visão de vida, enfatizando a importância de se colocar no lugar do outro. Em 19 de maio, Dia Mundial da Doação de Leite Humano, ela destaca que cada frasco doado representa uma chance de ajudar bebês em necessidade. Participando de um grupo de mulheres transplantadas, Rosane também busca transmitir esperança a outras pacientes.