O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou à China para uma visita oficial de dois dias, a convite do líder chinês, Xi Jinping. O encontro ocorre apenas quatro dias após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim, intensificando a disputa diplomática entre as potências globais.
A visita de Putin reforça a aproximação estratégica entre China e Rússia em um contexto de crescente tensão com Washington. Para Moscou, o encontro é uma oportunidade de consolidar o apoio econômico chinês diante das sanções ocidentais relacionadas à guerra na Ucrânia. Para Pequim, a agenda é uma chance de afirmar sua posição como um centro de diplomacia global.
Durante sua estadia, Putin e Xi discutirão maneiras de ampliar a 'parceria abrangente e cooperação estratégica' entre os dois países, além de abordar questões internacionais e regionais prioritárias. Após as conversas, os líderes devem assinar uma declaração conjunta e cerca de 40 acordos bilaterais em diversas áreas, incluindo energia e comércio.
Um dos principais focos da visita será a adoção de uma 'Declaração sobre o Estabelecimento de um Mundo Multipolar e um Novo Tipo de Relações Internacionais'. O documento reflete a intenção de Rússia e China de promover um modelo global menos centrado nos Estados Unidos.
A visita de Putin ocorre logo após a passagem de Trump por Pequim, onde foram discutidos temas como comércio e tensões no Oriente Médio. Apesar da visita do presidente americano, não houve avanços concretos em questões centrais para Washington.
A guerra na Ucrânia permanece como pano de fundo da visita. Embora a China defenda negociações de paz, nunca condenou oficialmente a ofensiva militar russa. O comércio bilateral entre Rússia e China atingiu níveis recordes, com transações majoritariamente realizadas em rublos e yuans.
A cooperação energética será um tema central nas discussões, incluindo o projeto 'Força da Sibéria 2', que visa enviar gás russo à China. Além disso, as relações com o Oriente Médio e a questão de Taiwan também estarão na pauta.
A visita ocorre em um momento delicado para Putin, que enfrenta um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional. A China, que não reconhece a jurisdição do TPI, defende o líder russo, permitindo que ele viaje sem riscos legais.
Ao final da visita, está previsto um encontro informal entre Putin e Xi para discutir questões importantes de maneira confidencial, após um jantar oficial.