Londres testemunhou neste sábado duas manifestações significativas, refletindo a polarização política atual. De um lado, o movimento 'Una o Reino', liderado pelo ativista ultradireitista Tommy Robinson, e do outro, um ato em apoio aos palestinos deslocados pela guerra Árabe-Israelense de 1948.
Os manifestantes de extrema-direita, que se reuniram na Praça do Parlamento, exibiam bandeiras do Reino Unido e bonés com a frase 'Make England Great Again (Mega)'. Eles protestavam contra o que consideram uma discriminação crescente contra brancos no país. Robinson, conhecido por suas opiniões anti-imigração, declarou no X: 'Hoje, nós unimos o Reino e o Ocidente na maior expressão patriótica que o mundo já viu'.
Entre os gritos de ordem ultranacionalistas, os manifestantes exigiam a renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer, que enfrenta um dos momentos mais desafiadores de seu governo. Starmer, por sua vez, criticou a marcha, afirmando que 'estamos em uma batalha pela alma desse país'.
Em outra parte da cidade, manifestantes pró-Palestina levantavam cartazes contra a extrema-direita e clamavam pela libertação de 'reféns palestinos', muitos usando o tradicional lenço quadriculado, o kaffiyeh.
Para controlar a situação, mais de 4 mil policiais foram mobilizados, criando uma zona tampão entre os dois grupos. A Polícia Metropolitana de Londres descreveu a operação como uma das mais significativas em anos, utilizando drones, cavalos e cães policiais, além de manter veículos blindados prontos.
Até o momento, 11 pessoas foram detidas por diversos crimes, embora não tenha sido especificado quantas estavam ligadas a cada protesto. Além das manifestações, as autoridades também lidam com o fluxo de torcedores no estádio de Wembley, onde Chelsea e Manchester City disputam a final da Copa da Inglaterra.
Essas manifestações ocorrem em um contexto de crise política para o governo trabalhista de Starmer, que recentemente enfrentou a demissão de quatro ministros e uma carta de quase 80 parlamentares pedindo sua renúncia. A crise se intensificou após resultados ruins nas eleições municipais e regionais de maio, onde o Partido Trabalhista perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores.
Starmer, que assumiu o cargo há menos de dois anos, viu sua popularidade despencar. O governo enfrenta dificuldades em cumprir promessas de crescimento econômico, melhorar serviços públicos e reduzir o custo de vida. Apesar da pressão, o primeiro-ministro afirmou que pretende liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.