Os Emirados Árabes Unidos buscaram persuadir países vizinhos, como Arábia Saudita e Catar, a se juntarem a uma resposta militar coordenada aos ataques do Irã. A informação foi divulgada pela agência de notícias Bloomberg nesta sexta-feira (15).
Apesar das tentativas, o governo emiradense ficou desapontado com a recusa dos vizinhos em participar de um contra-ataque a Teerã, conforme relataram autoridades à agência.
A articulação para uma resposta aos ataques iranianos ocorreu no início da guerra no Oriente Médio. O presidente dos Emirados, sheik Mohammed bin Zayed, fez ligações a outros líderes, incluindo o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, logo após os EUA e Israel iniciarem bombardeios ao Irã em 28 de fevereiro.
O conflito, que ainda persiste em um período de cessar-fogo desde abril, envolve EUA, Israel e Irã, com países do Golfo Pérsico sendo alvos de bombardeios iranianos em retaliação por abrigarem bases militares norte-americanas. Essa situação gerou descontentamento entre os árabes, que hesitaram em responder militarmente para não se associarem a Israel.
Zayed acreditava na necessidade de uma retaliação conjunta para dissuadir o Irã desde o início da guerra. Durante suas ligações, ele mencionou o Conselho de Cooperação do Golfo, sem sucesso, já que seus vizinhos alegaram que a guerra não os envolvia.
A recusa dos vizinhos deixou Zayed irritado e resultou em um agravamento das relações diplomáticas com a Arábia Saudita, além da saída dos Emirados da Opep, segundo a Bloomberg.
Apesar da negativa, os Emirados decidiram seguir com sua própria resposta ao Irã, colaborando rapidamente com o governo Trump e Israel. Isso levou a ataques secretos contra o Irã no início de abril, conforme relatado pelo jornal 'The Wall Street Journal'.
Os Emirados Árabes foram um dos países mais atingidos pelos ataques iranianos na guerra, com cerca de três mil mísseis e drones disparados contra seu território. Embora a maioria tenha sido interceptada por defesas aéreas, alguns atingiram alvos civis, como refinarias de petróleo e áreas residenciais.