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Antiviral reduz risco de Covid-19 após exposição a infectados

Um novo estudo revela que o comprimido antiviral ensitrelvir pode reduzir o risco de desenvolver Covid-19 após contato com infectados, mostrando resultados promissores em ensaio clínico.
Foto: Pílulas repetidas sobre fundo rosa-púrpura

Um comprimido antiviral demonstrou eficácia na redução do risco de contrair Covid-19 após contato direto com pessoas infectadas. Essa descoberta foi publicada em um ensaio clínico internacional no New England Journal of Medicine.

O estudo focou no uso do medicamento ensitrelvir em indivíduos que viviam na mesma residência que portadores de sintomas da doença. O objetivo era verificar se o remédio poderia impedir a infecção mesmo após a exposição ao vírus.

Os resultados mostraram que, entre os participantes que receberam placebo, cerca de 9% desenvolveram sintomas. Em contraste, no grupo que tomou o antiviral por cinco dias, esse número caiu para aproximadamente 3%.

O ensitrelvir atua bloqueando uma enzima crucial para a replicação do coronavírus, dificultando sua multiplicação no organismo. Além de reduzir os casos sintomáticos, o medicamento também diminuiu o total de infecções, incluindo as assintomáticas. No grupo tratado, 14% tiveram infecção confirmada, em comparação com 21,5% entre os que não receberam o antiviral.

Frederick Hayden, virologista clínico da Universidade da Virgínia e um dos autores do estudo, destacou a relevância da estratégia, especialmente para grupos vulneráveis. Ele afirmou que

ainda existem grupos que correm risco real com a Covid, e essa pode ser uma opção importante após a exposição

.

O tratamento foi bem tolerado, apresentando poucos efeitos colaterais e um perfil de segurança semelhante ao do placebo. O estudo envolveu mais de 2 mil participantes, conduzido entre junho de 2023 e setembro de 2024, com voluntários iniciando o uso do medicamento em até 72 horas após o contato com infectados.

Embora a proposta de usar antivirais como prevenção após exposição tenha sido testada desde o início da pandemia, resultados anteriores foram inconclusivos. Com o ensitrelvir, os pesquisadores obtiveram evidências mais robustas, embora ainda seja necessário discutir quais grupos devem ser priorizados.

Pessoas idosas, com doenças pré-existentes ou que utilizam medicamentos que afetam o sistema imunológico são os principais candidatos. Profissionais de saúde também podem se beneficiar, dada sua maior exposição ao vírus.

Apesar da redução dos casos graves nos últimos anos, a Covid-19 ainda circula e causa hospitalizações e mortes. Para os pesquisadores, ter uma opção de prevenção após contato direto com o vírus pode ajudar a mitigar esse impacto, especialmente entre aqueles que estão em maior risco de complicações.

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