Os governadores dos estados mexicanos de Sonora e Tamaulipas, Alfonso Durazo e Américo Villarreal, respectivamente, refutaram nesta quarta-feira (3) as alegações de que estão sendo investigados pelos Estados Unidos por supostos vínculos com o crime organizado. A negativa ocorreu após uma reportagem do Los Angeles Times que indicou que ambos teriam seus vistos revogados e estariam sob investigação.
De acordo com a publicação, Durazo estaria sendo investigado por supostas ligações com organizações criminosas, enquanto Villarreal seria alvo de apurações relacionadas ao contrabando ilegal de combustíveis, conhecido no México como huachicol. O jornal também mencionou que, apesar da revogação dos vistos, os governadores teriam recebido autorização especial para entrar nos Estados Unidos.
Em resposta às alegações, Paloma Terán, chefe do Sistema Estadual de Comunicação Social de Sonora, afirmou que Durazo possui um visto válido e não foi notificado sobre qualquer investigação por parte das autoridades norte-americanas. Por sua vez, Gerardo Algarín, coordenador de Comunicação Social de Tamaulipas, classificou as informações como "acusações falsas" e destacou a ausência de documentos ou evidências que sustentem as alegações.
Essas novas revelações surgem em um contexto de crescente atenção das autoridades dos Estados Unidos em relação a autoridades mexicanas. Recentemente, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou acusações contra dez autoridades e ex-autoridades do estado de Sinaloa, por suposta colaboração com a facção criminosa Los Chapitos, ligada ao Cartel de Sinaloa.
Entre os denunciados estão o governador licenciado de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outros altos funcionários. Segundo promotores do Distrito Sul de Nova York, os investigados teriam utilizado suas posições para proteger membros do cartel, compartilhar informações sigilosas e facilitar o transporte de drogas para os Estados Unidos em troca de subornos.
Após a divulgação das acusações, o governo mexicano recebeu pedidos de prisão preventiva para fins de extradição dos investigados. Contudo, a Procuradoria-Geral da República (FGR) afirmou que os documentos enviados pelos EUA não continham elementos suficientes para justificar as detenções, solicitando provas adicionais.
A reportagem do Los Angeles Times sugere que Washington está ampliando o foco de suas investigações, mirando não apenas os líderes dos cartéis, mas também autoridades públicas suspeitas de facilitar as atividades criminosas.