O hábito de utilizar toalhas molhadas por vários dias pode parecer inofensivo, mas especialistas alertam que essa prática pode favorecer o crescimento de fungos, bactérias e outros microrganismos que causam problemas dermatológicos. Em ambientes úmidos, como banheiros, as toalhas se tornam locais propícios para a proliferação desses agentes, elevando o risco de micoses, foliculite e irritações na pele.
A dermatologista Letícia de Melo Elias, do Hospital Santa Marta, em Brasília, explica que a umidade acumulada nas fibras das toalhas cria condições ideais para a sobrevivência de microrganismos.
A água retida nas fibras fornece o ambiente necessário à manutenção da viabilidade celular de microrganismos
, afirma.
Além do desconforto gerado pelo mau cheiro, a toalha molhada pode atuar como um reservatório de fungos, bactérias e vírus. Resíduos de suor, células mortas e secreções permanecem no tecido após o uso, especialmente quando a toalha demora a secar completamente. A dermatologista Maria das Graças Leto, da clínica AMO, em Salvador, ressalta que o problema se agrava em locais quentes e úmidos, onde o ambiente favorece o crescimento de microrganismos.
O risco não se limita apenas à pessoa que utiliza a toalha. O compartilhamento pode facilitar a transmissão de doenças de pele entre familiares, especialmente em casos de baixa imunidade, feridas ou dermatites. Entre os problemas dermatológicos associados ao uso de toalhas molhadas, a micose é uma das principais preocupações, já que os fungos conseguem sobreviver no tecido úmido e se espalhar para outras áreas do corpo.
A foliculite, por sua vez, pode ser transmitida pelo contato com bactérias presentes na toalha contaminada. Embora a relação com a acne seja menos direta, o desequilíbrio causado por microrganismos pode agravar inflamações existentes na pele. Maria das Graças observa que toalhas mal higienizadas não são a causa única dessas doenças, mas podem contribuir para o problema.
Para evitar esses riscos, dermatologistas recomendam a troca regular das toalhas e garantir que elas sequem completamente entre os usos. Embora não haja uma regra fixa, o ideal é trocar a toalha pelo menos uma vez por semana, especialmente se ela secar adequadamente após o banho. Maria das Graças sugere que toalhas de banho sejam trocadas a cada dois ou três usos, principalmente se permanecerem úmidas por muito tempo.
Além da troca frequente, os especialistas aconselham a evitar o compartilhamento de toalhas e a manter o tecido em local ventilado para reduzir a proliferação de microrganismos.