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Impacto do Consumo de Drogas na Juventude e Danos Cognitivos Futuros

Um estudo da Universidade de Michigan revela que o uso excessivo de álcool, cigarro e maconha na juventude pode levar à perda de memória na meia-idade, destacando a importância da intervenção precoce.
Foto: Imagem colorida de jovem com cigarro aceso na mão

Uma análise da Universidade de Michigan, publicada no Journal of Aging and Health, aponta que o consumo excessivo de álcool, cigarro e maconha na juventude está associado à perda de memória na meia-idade. O estudo enfatiza a necessidade de intervenções precoces para proteger a saúde cerebral a longo prazo, mesmo que os jovens não percebam seu consumo como problemático.

Os pesquisadores realizaram uma avaliação longitudinal com 2.450 participantes, analisando o consumo dessas substâncias entre 18 e 30 anos, entre 1976 e 1991, e posteriormente testando a capacidade de memória dos mesmos indivíduos entre 50 e 65 anos, de 2018 a 2023.

Os resultados indicam que o cigarro está diretamente ligado ao declínio mental na meia-idade, enquanto o uso excessivo de álcool e maconha tem um efeito indireto, aumentando o risco de consumo de substâncias na faixa dos 30 anos e, consequentemente, o risco de perda cognitiva futura.

Além disso, mesmo aqueles que interromperam o uso dessas drogas apresentaram desempenho cognitivo inferior na velhice em comparação com indivíduos que nunca as utilizaram. O psiquiatra Gabriel Okuda, do Einstein Hospital Israelita, destaca que tanto o cigarro quanto o álcool e as drogas ilícitas alteram as funções executivas e o quadro cognitivo.

O consumo de álcool, por exemplo, está associado à morte neuronal direta e a alterações na substância branca e cinzenta, no hipocampo e no córtex pré-frontal, regiões cruciais para a memória e funções cognitivas. O cigarro, por sua vez, impacta a vascularização cerebral, aumentando o risco de microinfartos, enquanto a maconha prejudica funções executivas como foco e memória.

A faixa etária até os 25 anos é considerada crítica, pois o cérebro ainda está em desenvolvimento. O psiquiatra alerta que quanto mais cedo e em maior quantidade as drogas forem utilizadas, maior será o risco de comprometer a neuroplasticidade e o neurodesenvolvimento, com consequências negativas ao longo da vida.

É importante ressaltar que não há nível seguro de uso dessas substâncias. Embora o estudo não tenha abordado o impacto do consumo recreativo ou moderado, qualquer exposição é prejudicial.

Sinais de alerta que indicam a necessidade de buscar ajuda profissional incluem piora no desempenho escolar ou profissional, dificuldades em manter relacionamentos saudáveis, aumento no consumo de substâncias e sintomas de abstinência, como ansiedade e irritabilidade.

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