A União Europeia anunciou nesta segunda-feira que aplicará sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia, uma decisão que encerra um impasse que perdurava no bloco. A implementação de ações desse tipo havia sido bloqueada por meses pelo governo húngaro, aliado de Israel, até a recente posse de Péter Magyar.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, afirmou que
era hora de superarmos o impasse e agirmos. Extremismos e violência têm consequência
. A medida também se aplica a figuras proeminentes do Hamas, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre os indivíduos alvo das sanções.
O governo israelense reagiu com críticas severas à decisão da UE, alegando que a União Europeia demonstra uma "falência moral" ao criar uma falsa simetria entre cidadãos israelenses e terroristas do Hamas. A mensagem de Tel Aviv reflete um debate contínuo sobre a ocupação da Cisjordânia, reconhecida como território palestino pela maioria da comunidade internacional.
A publicação do gabinete de Netanyahu destaca que
sancionar judeus por viverem na Judeia e na Samária é inaceitável
, referindo-se aos termos usados por Israel para designar a Cisjordânia. O território, que foi ocupado pela Jordânia até 1967, é objeto de controvérsias e disputas sobre assentamentos judeus, considerados ilegais sob o direito internacional.
Apesar das restrições legais, colonos frequentemente ocupam terras palestinas e, em muitos casos, agem com violência, resultando em um clima de insegurança na região. A política israelense, especialmente sob a atual coalizão de direita, tem incentivado novas ocupações, conforme declarado pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir.
Ben-Gvir, após o anúncio europeu, afirmou que a iniciativa dos assentamentos não será dissuadida, chamando a UE de "união antissemita". O conceito de "terra de Israel" defendido por ele abrange uma área muito além da Cisjordânia, gerando debates internos sobre a legitimidade das ocupações.
Recentemente, Israel tem utilizado a declaração de terras da Cisjordânia como parte do Estado de Israel para facilitar novos assentamentos. O clima de tensão na região se traduz em violência, com relatos de ataques de colonos a palestinos e um número crescente de mortes, conforme dados da ONU.