Desde o início do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, animações inspiradas na estética da marca Lego começaram a circular amplamente nas redes sociais. Essas produções, que incluem bombas feitas de peças coloridas e líderes mundiais transformados em bonecos, integram uma estratégia de propaganda de guerra cada vez mais sofisticada.
Os vídeos, que mostram drones, explosões e confrontos militares em um estilo de desenho, retratam autoridades americanas como responsáveis por guerras, enquanto o Irã e seus aliados são apresentados como resistência. Especialistas afirmam que essa abordagem é uma nova forma de propaganda adaptada para a internet, utilizando uma linguagem simples e humor para ampliar seu alcance.
A Explosive Media é uma das principais organizações por trás dessas animações. Em entrevista, um representante da organização, conhecido como 'Sr. Explosivo', destacou que a escolha da estética Lego foi estratégica, pois 'Lego é uma linguagem universal'. Ele também mencionou que o formato ajuda a suavizar a violência da guerra e a evitar a rejeição do público.
Maurício Ramos, cientista político, concorda que essa comunicação é voltada para o ocidente e destaca que o Lego é um brinquedo que atravessa todas as faixas etárias. O grupo admitiu que o governo do Irã é um 'cliente', e a equipe que cria os vídeos é composta por cerca de dez pessoas, incluindo operadores de inteligência artificial e animadores.
Ramos também observa que as animações são uma forma de propaganda de guerra, estruturada para as redes sociais, com foco no engajamento em vez do medo. O compartilhamento dos vídeos, independentemente da concordância, ajuda a multiplicar o discurso. Essa viralização é aproveitada por perfis oficiais do governo que disseminam os conteúdos.
A psicanalista Fabíola Barbosa alerta que essa busca pela viralização pode banalizar a gravidade da guerra. Ela afirma que a estética leve pode mascarar conteúdos violentos, tornando-os mais palatáveis. O uso de inteligência artificial para criar narrativas semelhantes a vídeos de 'novelas de frutas' também é mencionado como uma forma de apresentar o horror de maneira lúdica.
Os vídeos conseguiram viralizar a ponto de serem mencionados em eventos como o festival Coachella, onde o vocalista da banda The Strokes, Julian Casablancas, comentou sobre a qualidade das animações em comparação com a cobertura da mídia tradicional.