Um tribunal de Justiça na Dinamarca decidiu que a retirada da guarda de uma recém-nascida da mãe, Keira Alexandra Kronvold, foi ilegal. A bebê foi separada da mãe apenas duas horas após o parto, em novembro de 2024, devido a um teste psicométrico de competência parental.
Esse teste, que avalia a capacidade dos pais de cuidar dos filhos, foi proibido na Dinamarca há um ano, especialmente em relação a pessoas com ascendência groenlandesa, após pressão internacional. Esta decisão judicial é a primeira a considerar ilegal a prática que ocorreu antes da proibição.
Dados da ONG Humanium indicam que 7% das crianças nascidas na Groenlândia e 5% das crianças com pelo menos um dos pais groenlandês são colocadas em lares de acolhimento, em contraste com apenas 1% das demais crianças. Organizações internacionais criticam esses testes por não considerarem valores culturais e por serem discriminatórios em relação a populações indígenas.
Conforme reportado pelo The Guardian, a Justiça dinamarquesa afirmou que a remoção da bebê violou direitos fundamentais, conforme a Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 1989 sobre os Povos Indígenas e Tribais. Após o nascimento, a bebê foi levada a um abrigo e atualmente reside com uma família de acolhimento dinamarquesa.
Entretanto, a decisão do tribunal não garante que Kronvold recuperará a guarda da filha, uma questão que será decidida em um novo processo judicial, no qual ela já havia sido derrotada em primeira instância.