A trajetória de Oluwabunmi Aduké Coutinho Bello, carinhosamente chamada de Bunmi, ilustra a relevância de estar atento aos sinais silenciosos do câncer infantil. Moradora do bairro Anchieta, no Rio de Janeiro, a menina foi diagnosticada com hepatoblastoma, um tumor raro no fígado, após apresentar sintomas que inicialmente foram atribuídos a fases comuns da infância.
Desde o nascimento, Bunmi enfrentou problemas de saúde, incluindo dextrocardia e má formação pulmonar, que resultaram em uma internação de dois meses. Após sua estabilização, ela começou a se desenvolver normalmente, mas meses depois, sinais sutis começaram a aparecer. A perda de peso, a redução do apetite e episódios de febre foram os primeiros alertas. O inchaço abdominal, que parecia uma alteração passageira, tornou-se um sinal preocupante.
A família inicialmente associou a falta de apetite a uma fase comum da infância, mas a persistência dos sintomas levou a pediatra a investigar mais a fundo. Após encaminhamentos para uma nutróloga e a realização de exames de imagem, os resultados mostraram níveis elevados de alfafetoproteína, um marcador associado a tumores hepáticos. A confirmação do hepatoblastoma ocorreu em junho de 2024, no Hospital Estadual da Criança (RJ), quando a doença já estava em estágio avançado, mas sem metástase.
A oncologista pediátrica Lilian Maria Cristofani, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o hepatoblastoma é raro, representando cerca de 1% dos cânceres infantis, e ocorre principalmente em crianças menores de 3 anos. O tratamento começou com sessões semanais de quimioterapia, que posteriormente foram alternadas. A resposta de Bunmi ao tratamento foi positiva, com regressão do tumor e melhora em seu estado geral.
Apesar do progresso, a equipe médica recomendou o transplante de fígado como a melhor chance de cura. A espera por um doador foi angustiante, pois a mãe não pôde doar e outros familiares apresentaram alterações hepáticas. Após avaliações, um dos irmãos foi considerado apto para a doação, e o procedimento foi bem-sucedido.
O caso de Bunmi ressalta a importância de observar sinais persistentes em crianças. Os principais sintomas que exigem atenção incluem aumento do volume abdominal, perda de peso, falta de apetite, dor abdominal, vômitos e anemia. O diagnóstico precoce é crucial, pois aumenta as chances de tratamento eficaz e melhora a qualidade de vida.
Embora o câncer infantil seja raro, é a principal causa de morte por doenças não violentas entre crianças e adolescentes. A trajetória de Bunmi evidencia como sintomas aparentemente comuns podem ocultar condições graves, e o acompanhamento médico adequado foi fundamental para o diagnóstico e tratamento em tempo hábil. Atualmente, Bunmi está em remissão e continua sob acompanhamento médico.