A sala de imprensa da Casa Rosada reabriu suas portas nesta segunda-feira, após um período de 11 dias em que jornalistas foram impedidos de acessar a sede do governo argentino, uma medida sem precedentes na história recente do país.
A proibição teve início após a emissora Todo Noticias divulgar imagens do interior do prédio utilizando óculos inteligentes. Apesar da reabertura, relatos indicam que ainda existem restrições, como a retenção de credenciais e a escolta de agentes de segurança, limitando o deslocamento dos jornalistas.
O repórter Fabian Waldman expressou sua preocupação nas redes sociais, afirmando que os jornalistas não podem mais circular livremente pelos corredores da Casa Rosada, o que impede a cobertura de eventos importantes, como a chegada de autoridades para reuniões.
A Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina (Adepa) também se manifestou, destacando que o trabalho dos jornalistas na sede do governo é um direito da cidadania e não um privilégio da mídia.
O chefe de gabinete, Manuel Adorni, afirmou que as novas regras visam cumprir a norma sem censurar a liberdade de expressão. Ele negou que houvesse problemas para a entrada de jornalistas devidamente credenciados, apesar de dois profissionais ainda estarem barrados.
Adorni defendeu a decisão do governo, alegando que a exibição das imagens internas da Casa Rosada representa uma violação da segurança. Ele comparou a situação à possibilidade de um jornalista se infiltrar na Casa Branca com óculos espiões.
A Casa Militar apresentou queixa contra os jornalistas envolvidos na gravação das imagens. O presidente Javier Milei criticou a atuação da imprensa, afirmando que a corrupção e a violação das leis de segurança não ficam impunes.
A apresentadora Luciana Geuna, que exibiu as imagens, defendeu seu trabalho, afirmando que a filmagem não era clandestina, mas uma forma de contar a história política de maneira visual.
Uma semana após o bloqueio, a ONG Repórteres Sem Fronteiras revelou que a Argentina caiu 11 posições em seu ranking de liberdade de imprensa, alcançando a 98ª posição entre 180 países, o pior resultado desde 2002.
Apesar das restrições, os jornalistas conseguiram questionar Adorni sobre acusações de enriquecimento ilícito que afetam a popularidade do governo. O chefe de gabinete respondeu que não tinha lido sobre novas revelações relacionadas ao tema.