O artigo, escrito por Natan Feter, coordenador do Centro de Pesquisas em Atividade Física, Saúde e Tecnologia da UFPel, foi publicado na plataforma The Conversation Brasil. Em 2024, o Brasil registrou quatro mortes a cada 15 minutos que poderiam ser evitadas com a prática de atividade física. Esse dado reforça a visão de que a inatividade física é uma pandemia com impactos profundos na saúde coletiva.
O Brasil enfrenta uma transição demográfica acelerada, envelhecendo em um contexto de desigualdades sociais. O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, ELSA-Brasil, que acompanha 15 mil adultos há mais de 15 anos, revela que a inatividade física é preocupante, especialmente após a aposentadoria, quando a inatividade aumenta em 65% entre homens e 55% entre mulheres.
A prática regular de atividade física é considerada um 'polifármaco' natural, com benefícios que vão além da saúde física. Atingir as recomendações da OMS de 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa está associado a uma redução de 25% no risco de mortalidade em cinco anos. Para cada quatro mortes entre sedentários, apenas três ocorrem entre os ativos.
Além disso, o exercício é fundamental para a preservação cognitiva e proteção cardiovascular. Pequenas mudanças, como acumular cerca de 7 mil passos por dia, podem reduzir a mortalidade pela metade.
Para que a atividade física se torne parte da rotina da população, é necessário um ambiente favorável. O Brasil possui ferramentas como o Guia de Atividade Física para a População Brasileira e o programa Academia da Saúde, que visa democratizar o acesso ao movimento.
A divulgação científica é essencial para transformar dados complexos em orientações práticas. O ELSA-Brasil tem investido em boletins informativos que explicam conceitos básicos e resultados sobre prevenção de doenças, buscando democratizar o conhecimento produzido ao longo de 15 anos de pesquisa.
Um achado encorajador é que o papel protetor da atividade física é eficaz independentemente da idade de início. Substituir apenas 10 minutos diários de inatividade por movimento moderado pode reduzir o risco de morte em 10% no curto prazo, mostrando que nunca é tarde para começar.