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Impacto da Insegurança na Saúde Mental de Pré-Adolescentes

Um estudo revela que a sensação de insegurança pode afetar negativamente a saúde mental e o desempenho cognitivo de pré-adolescentes, superando os efeitos da criminalidade real.
Foto: Metropoles

A sensação de insegurança pode ter um efeito mais significativo no desenvolvimento cerebral e na saúde mental de pré-adolescentes do que os índices reais de criminalidade. Essa conclusão é parte de um estudo publicado na revista Developmental Cognitive Neuroscience, que analisou dados de quase 12 mil jovens nos Estados Unidos.

Os pesquisadores realizaram entrevistas, questionários, testes cognitivos e exames de ressonância magnética em dois momentos: quando os participantes tinham entre 9 e 10 anos e, novamente, aos 11 ou 12 anos. O foco foi investigar a relação entre a percepção de segurança e os resultados em saúde mental, cognição e estrutura cerebral.

A psicóloga Bianca Dalmaso, do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, destaca que, embora já existam estudos que associam ambientes violentos a níveis elevados de ansiedade e estresse, este estudo acrescenta que a percepção de segurança também influencia a saúde mental e o desempenho cognitivo dos pré-adolescentes.

Os resultados indicam que aqueles que se sentem mais inseguros apresentam maiores níveis de depressão, ansiedade e problemas de comportamento, além de um desempenho inferior em testes cognitivos. Em contraste, uma maior sensação de segurança está ligada a um aumento no volume da amígdala, uma área do cérebro relacionada ao processamento emocional.

Dalmaso explica que o cérebro reage à sensação de ameaça, entrando em estado de alerta mesmo na ausência de perigo imediato. Esse estado prolongado pode resultar em estresse elevado, ansiedade, dificuldades de concentração e desgaste emocional.

A constante sensação de insegurança pode levar a diferenças nas funções cognitivas e no desenvolvimento cerebral, especialmente em áreas ligadas à atenção, memória, regulação emocional e tomada de decisão. O cérebro prioriza vigilância e proteção, o que pode comprometer recursos mentais para aprendizagem e concentração.

Embora o estudo aponte associações, não estabelece uma relação de causa e efeito direta. Fatores como ambiente familiar, renda e saúde mental anterior também podem influenciar os resultados. Dalmaso ressalta que a percepção de segurança é um fator relevante para o bem-estar psicológico.

Adicionalmente, a percepção de segurança pode operar em duas direções: a insegurança afeta a saúde mental, mas pessoas mais ansiosas tendem a perceber mais riscos, criando um ciclo em que a ansiedade e a percepção de ameaça se retroalimentam.

Estratégias podem ser implementadas para mitigar o impacto dessa percepção. Embora não eliminem a insegurança real, podem aumentar a sensação de segurança e o bem-estar. No nível individual, manter uma rotina estruturada, fortalecer vínculos sociais e reduzir a exposição a notícias violentas são algumas recomendações. No âmbito social, é importante promover relações comunitárias e criar redes de apoio.

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