A distorção de imagem corporal deixou de ser apenas uma insatisfação estética e se tornou um sério problema de saúde mental, com impactos profundos. Em um mundo cada vez mais influenciado por padrões irreais e pela pressão das redes sociais, o número de pessoas com uma relação compulsiva com o próprio corpo tem aumentado.
O desejo inicial de emagrecer pode se transformar em um comportamento rígido, gerando sofrimento psicológico e prejuízos físicos. A busca pelo 'corpo ideal' pode dominar a rotina, tornando-se prejudicial. O psiquiatra Victor Tolentino, do Hospital Brasília, explica que a distorção da imagem corporal é um fenômeno multifatorial, resultante da interação entre fatores biológicos, psicológicos e socioculturais.
Esse quadro frequentemente está associado a transtornos como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno dismórfico corporal, nos quais a percepção do corpo é severamente alterada. O psicólogo Luigi Sturaro, que atua no Rio de Janeiro, ressalta que esse processo é progressivo, onde crenças negativas e emoções como vergonha reforçam a distorção ao longo do tempo.
O limite entre cuidado e compulsão não reside no objetivo de emagrecer, mas na maneira como esse hábito é conduzido. Tolentino alerta que a busca pelo emagrecimento se torna prejudicial quando começa a controlar a vida da pessoa. Sinais como medo intenso de engordar, dietas extremamente restritivas e exercícios físicos punitivos indicam que o comportamento já ultrapassou o limite saudável.
Sturaro destaca que a perda da flexibilidade psicológica é um ponto central e preocupante. Mesmo diante de prejuízos físicos, emocionais ou sociais, a pessoa não consegue interromper o padrão, perpetuando um ciclo de insatisfação. A distorção de imagem geralmente evolui de forma silenciosa, com sinais como preocupação constante com o peso, culpa após as refeições e isolamento social.
O impacto psicológico é significativo, podendo levar ao desenvolvimento de ansiedade, sintomas depressivos e autocrítica intensa. Com a progressão do quadro, sintomas físicos como queda de cabelo, tonturas e alterações hormonais podem surgir. As redes sociais desempenham um papel importante como fator de risco, intensificando comparações e ampliando a distorção de imagem.
Esses padrões muitas vezes são internalizados como medidas de valor pessoal, aprofundando o problema. Contudo, existem tratamentos eficazes, geralmente multidisciplinares. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a principal abordagem, focando na reestruturação de pensamentos distorcidos e comportamentos disfuncionais. Em alguns casos, medicamentos podem ser utilizados como complemento, especialmente quando há transtornos associados.
Os especialistas enfatizam que tratar apenas os sintomas não resolve a questão; é fundamental atuar na raiz da distorção de imagem.