A combinação de arroz com feijão, um ícone da culinária brasileira, tem gerado discussões nas redes sociais, sendo rotulada por alguns como "ração do governo". No entanto, essa classificação carece de suporte científico. Estudos demonstram que essa dupla pode ser parte de uma dieta saudável, fornecendo energia, proteínas, fibras, vitaminas, sais minerais e fitoquímicos.
O feijão, por exemplo, é destacado por seu potencial no controle de peso, conforme pesquisa publicada no periódico Nutrition Journal. O arroz integral também é valorizado, conforme um estudo na revista Food & Function, por seus compostos antioxidantes. A nutricionista Gabriela Mieko Yoshimura, do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, ressalta que a popularidade dessa combinação não é acidental, pois ambos os alimentos são amplamente cultivados e acessíveis, além de serem nutricionalmente ricos quando consumidos juntos.
Historicamente, os povos originários já consumiam feijão antes da chegada dos portugueses, enquanto o arroz se popularizou no século 18, dando origem à combinação.
Um prato com arroz e feijão, quando bem planejado, oferece saciedade e energia ao longo do dia
, afirma Gabriela.
Nutricionistas nas redes sociais têm contestado a ideia de que essa combinação é prejudicial, apontando que tais alegações muitas vezes vêm de perfis que promovem dietas com alto consumo de proteína animal, como a 'Dieta da Selva', segundo o nutricionista Carlos Eduardo Haluch.
Os benefícios do arroz com feijão incluem a oferta de aminoácidos essenciais, que são fundamentais para a formação de proteínas. O arroz é rico em metionina, enquanto o feijão é uma boa fonte de lisina, resultando em uma proteína de alto valor biológico que auxilia na construção e reparação de tecidos.
A variedade de tipos de arroz, como o integral, que é rico em fibras e antioxidantes, e o parboilizado, que retém mais nutrientes, também é importante. O feijão é uma das melhores fontes de proteína vegetal e priorizar essas proteínas pode beneficiar a saúde cardiovascular.
A diversidade de feijões disponíveis, como o preto, carioca e vermelho, permite variações na dieta, sendo o carioca o mais consumido no Brasil. A técnica do remolho, que envolve deixar o feijão de molho por 12 horas, é recomendada para reduzir desconfortos e melhorar a absorção de nutrientes.